2016 Indie punk Resenhas Rock

Pixies – Head Carrier (2016)

Head Carrier é o som típico do Pixies em 2016

Por Gabriel Sacramento

Foram necessárias três semanas em estúdio para que o Pixies gravasse Head Carrier, o novo disco da banda. O sexto da carreira e sucessor do disco de retorno Indie Cindy de 2013. O prazo curto de gravação já deixa na cara o nível de simplicidade e de conforto do grupo com o que compôs. Segundo o baterista David Lovering, tudo foi mais tranquilo com Head Carrier e eles entraram no estúdio sabendo exatamente o que fazer. Na pergunta sobre qual disco é mais Pixies, a resposta é imediata: Head Carrier.

Lidando com o passado e visando um novo momento, o Pixies parece seguir em frente e não somente lamentar as dores das intempéries na carreira. Recentemente, o grupo perdeu a baixista Kim Deal, que saiu depois de várias e várias brigas e desentendimentos entre ela e o vocalista Black Francis. Houve também um hiato de mais de dez anos, que foi longo o suficiente para fazer o grupo perder a relevância de outrora. No entanto, para o novo momento, o grupo tem uma nova integrante: a argentina Paz Lenchantin, baixista e vocalista.

pixies_2016

Esse avanço ao qual me refiro não representa distanciar-se do que a banda já foi. Significa ir em frente, mesmo diante dos problemas na carreira, buscando firmar uma nova fase. E esse novo momento tem os resquícios da esquisitice do som típico da banda nos anos 90. Por isso, Head Carrier tem o mérito de ser Pixies. Ou seja, eles buscam referenciar a si próprios e manter as tendências idiossincráticas da banda, mesmo que de uma maneira moderna e mais bem produzida.

Qual característica do som clássico deles é mais marcante? São as hamonias mais comuns e melodias sensíveis envoltas em um som caótico, com guitarras distorcidas como uma parede ao fundo? Temos isso na faixa-título, que abre o disco, com Black Francis anunciando o título do disco como quem prenuncia o caos. Ou é o apelo pop e jovial, envolto em um clima lo-fi e simples? Bem, isso nós ouvimos em “Classic Masher”, em “Tenement Song” e em “Might as Well Be Gone”. A primeira, inclusive, soa bem pop, mas com uma camada superdensa de guitarras emboladas (proposital, não um demérito) ao fundo. Ou seriam os riffs bem elaborados e a voz gritada histérica do Francis? Isso a gente nota em “Baal’s Back”.

Talvez você diga que prefere aqueles momentos vocal-baixo-bateria, com riffs simples e rápidos. Isso é perceptível em “Talent”, que é bem punk, direta e sem enrolação. Ou você sente falta da voz feminina marcante? Eles trazem isso em “Bel Esprit” e em “All I Think About Now” – que é uma carta de agradecimento à baixista Kim Deal cantada por sua substituta, Paz Lenchantin.

Depois de tantos anos influenciando bandas como Radiohead e Nirvana, e ganhando a admiração de artistas do naipe de David Bowie, o Pixies mostra estar ciente de sua importância para a música, embora não se acomodem com isso. Eles buscam se situar no contexto atual, fazendo o que fazem de melhor e trazendo mais do seu som chocante e característico. Obviamente, as coisas não funcionam para eles como no fim dos anos 80, mas a banda consegue, ao referenciar à própria sonoridade, criar novos sentimentos e trazer algo diferente e novo para 2016.

Head Carrier é o som que se espera da banda. Mesmo que haja um pouco de produção e um toque mais polido do que nos lançamentos antigos, não dá pra dizer que estamos ouvindo outra coisa. É fácil identificar, evoca algumas das características mais marcantes do início do grupo: a agressividade, a esquisitice e a simplicidade. De uma forma mais madura, como quem olha para o passado, tem mais bagagem para apresentar o seu eu sob uma ótica diferente.

Um ótimo exemplo de uma banda que não deixou a necessidade de atualização engolir a sua essência.

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1 comentário em “Pixies – Head Carrier (2016)

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