2016 Indie Pop Resenhas

The Naked And Famous – Simple Forms (2016)

Novo álbum do TNAF investe direitinho onde é preciso para ganhar o público mais rapidamente

Por Lucas Scaliza

Foi-se de vez a veia roqueira o grupo neozelandês The Naked And Famous permitia se misturar ao seu synthpop. Durou pouco. Apenas o primeiro álbum, Passive Me, Agressive You (2010) teve a ousadia de propor um pop carregado de sintetizadores e teclados que deixava guitarras distorcidas bem pesadas pressionarem os tímpanos dos ouvintes em faixas como “No Way”, “Jilted Lovers”, “Frayed”, “Spank” e “A Wolf In Geek’s Clothing”. Era muito difícil falar da banda sem mencionar esse lado mais áspero de seu som, que acabava sendo um diferencial.

Entre o segundo e o novo álbum do quinteto, duas coisas aconteceram: as partes mais roqueirinhas foram polidas e suavizadas em In Rolling Waves (2013) e o trio escocês Chvrches trabalhou direitinho sua música e seu business para virar a cara do jovem synthpop da década. É bem possível que os neozelandeses tenham influenciado em algum nível os ingleses, mas agora o que vemos é o The Naked And The Famous tentando trilhar o caminho (re)aberto pelo Chvrches.

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Isso não significa que o TNAF esteja copiando Lauren Mayberry e sua turma. A essência musical da banda ainda é a mesma. Inclusive, a cantora Alisa Xayalith demonstra um amadurecimento vocal enorme e é uma vocalista mais completa do que Mayberry. O que aconteceu é que o som do TNAF perdeu muito de sua pressão roqueiro para ganhar pressão pop. Batidas potentes, teclados e sintetizadores para todos os lados ressaltando a presença de elementos eletrônicos e atmosferas corpulentas.

Porém, se In Rolling Waves foi um disco que beirava o sem graça, Simple Forms recoloca a banda em uma rota que faz valer a pena ouvi-la. “Higher”, “The Water Beneath You” e “Last Forever” e a ótima “Backslide” são potentes e diretas. Xayalith não economiza em seus dotes vocais para cantar bem alto e afastar qualquer tédio que a banda possa ter suscitado no passado. E não faltam canções que tenham um enorme apelo melódico, como “Laid Low” e “The Runners”. Thom Powers, o guitarrista, encontra seu espaço e ainda mostra que usa bastante o pedal de distorção, principalmente em “Energy” e com certo destaque na ótima “Falling”, mas se antes era ele e seu instrumento que podiam fazer o volume subir, agora são os sintetizadores que conduzem os ânimos do grupo e ditam a textura de todo o álbum.

A maior suavização da banda pode ser sentida em canções mais lentas, que agora estão melhor produzidas e melhor compostas. É o caso de “Losing Our Control”, que não foge muito do lugar comum o conjunto dos instrumentos se arranjam bem, e “Rotten”, que é a música menos ansiosa e consegue expressar um clima eletrônico mais futurista e menos ultrapop.

A veia mais punk, ou industrial, do TNAF ainda é perceptível nas ondas sonoras distorcidas do baixo, da guitarra e do sintetizador que aparecem em algumas faixas. Embora esteja bem claro que a banda precisou se entregar muito mais ao synthpop, ainda há sons mais ásperos, ainda que não tanto quanto antes. O Chvrches, embora funcione bem, no geral é ainda mais pop que o The Naked And Famous.

Se a ideia é ganhar alguns postos no cenário pop europeu e americano, Simple Forms parece investir direitinho onde é preciso para ganhar o público mais rapidamente. É um grande álbum por entreter seu ouvinte do começo ao fim, mas não é um grande álbum que deverá ficar na memória como um dos grandes de 2016, seja dentro do estilo ou no geral da música produzida este ano. Para quem está chegando agora ao The Naked And Famous, é uma entrada rápida (o disco tem apenas 40 minutos de play) e acessível, podendo agradar tanto fãs de Lady Gaga e Britney Spears quanto de Chvrches e pop indie mais festivo. Quem já conhecia e talvez já não esteja curtindo mais tanto assim, pelo menos fica a certeza de que como banda – cantores e instrumentistas – continuam melhorando.

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1 comentário em “The Naked And Famous – Simple Forms (2016)

  1. wtf, vcs poderiam ter feito uma resenha do simple forms sem precisar comparar/usar referencia ao chvrches, até pq a arte das duas bandas são diferentes, só a sonoridade q é parecida. enfim, não sei oq todo mundo tem com in rolling waves q acha ele sem graça ou paradão,assim como o simples forms o in rolling waves foi muito pessoal e isso que é mais gostoso, a emoção q eles passam junto com o synthpop, guitarras e as baterias do jesse wood. 🙂

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