2016 Diversos Folk Resenhas Rock

Goat – Requiem (2016)

Disco folk e psicodélico para a turma de Humanas

Por Lucas Scaliza

Hippies, neohippies, veganos, usuários de drogas recreativas, yogues, pessoas que sentem falta dos anos 70, usuários de drogas viajantes, hippies de shopping, pessoas que meditam, indie rockers, interessados em magia e egressos dos anos 60: essa indicação é para vocês. 😉

O grupo sueco Goat chega ao terceiro disco de estúdio demonstrando que o encanto continua. Qual encanto? O da psicodelia folclórica, pois é disso que se trata a maior parte de Requiem. São tantas vozes e tantos instrumentos, todos gravados de forma crua, visceral e orgânica, que a banda mais parece uma comuna hippie sessentista em poder de uma mesa de gravação de 16 canais. O encanto aumenta ao vivo, já que a banda se apresenta sempre usando máscaras e fantasias e entrega uma performance animada e carregada de mística.

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Requiem, assim como grande parte da produção do Goat, não se trata de esmero técnico ou de proporcionar uma música que seja comercialmente valiosa. Ela fala aos sentidos mais do que a qualquer outro traço racional. Por isso, é complicado fazer uma resenha mais tradicional do álbum. Uma música como “Psychedelic Lover” é apenas um loop de acordes na guitarra, uma percussão que se aproxima do afrobeat, e um instrumento de corda (violão de aço? Guitarra?) no segundo plano executando uma escala indiana. Embora simples, é fácil conseguir uma ligação emocional com os ouvintes, mas você terá que testar e ver se é algo que se adequa a sua personalidade.

Às vezes mais folk (“I Sing in Silence”, “Alarms”, “It’s Not Me”) e às vezes mais rock (“Goatband”, “Goatfuzz”, “All-seeing Eye”), ainda encontra espaço para fazer música étnica que pode falar diretamente com brasileiros versados em ritmos regionais, como é o caso de “Temple Of Rythms”, em que a percussão afro acompanha um sopro que poderia muito bem tirar sua inspiração da música nordestina. Ou “Trouble In the Streets”, que parece utilizar uma viola caipira como um de seus instrumentos centrais. “Try My Robe” é quase uma trilha sonora, assim como a animada e new age “Goodbye”.

Não há um vocal que se destaque. As canções são todas cantadas em coro, o que reforça o lado psicodélico sessentista e setentista do grupo. Além disso, várias músicas do álbum são instrumentais, criando um grande clima de ritual, bacanal ou luau da turma de Humanas – depende da sensibilidade de cada ouvinte.

Ninguém sabe muito bem quem são as pessoas do grupo Goat. Três de seus membros são o centro da banda, todos egressos de Korpolombo, no interior da Suécia, e o restante dos músicos no palco são colaboradores. Esse anonimato ao fato de ser uma música com estilo de gravação e de expressão bem retrô fazem de Requiem um disco sem pretensão nenhuma. Não almeja entrar no top 10 de nenhum ranking e nem de reinventar a música. O mais interessante é que música dessa forma seja feita em 2016 e encontre seu nicho de público. E é feita com muito carinho, já que, por mais trippy ou experimental que algumas faixas sejam, não perdem o jeito convidativo de fazer o público dançar, cantar e querer sentar junto deles ao redor da fogueira, acender um incenso, dar um trago e olhar as constelações. Todos em comunhão, como os hippies lá em 1967.

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