2016 Pop Resenhas Rock

OneRepublic – Oh My My (2016)

Músicas para rádio vol. 4

Por Gabriel Sacramento

Quarto disco do OneRepublic e a ideia continua a mesma: fazer músicas para abastecer as rádios pelo mundo afora. Não que isso seja errado. Mas no caso do grupo, todas as energias e esforços são concentrados somente para isso, sobrando quase nada mais para ver, nem busca por identidade ou uma expressão musical mais significativa.

O público da banda continua jovem e o som continua adequado ao público. Quando surgiram em 2002, com destaque no MySpace, o grupo tinha um objetivo bem definido. O sucesso veio com “Apologize”, que tocou absurdamente e quebrou recordes de plays. Desde então, a estratégia do grupo é a autorreferência em busca de mais singles grandiosos como o supracitado.

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Ryan Tedder, vocal principal do grupo, chegou a afirmar que o novo disco, Oh My My, seria mais orgânico, pois, segundo ele, é o que “falta nas rádios hoje em dia”. Também disse que a banda nunca tinha trabalhado tanto tempo em um projeto. De fato, em muitos momentos, o disco soa orgânico, principalmente nas levadas de bateria, mas isso não representa algo destacável ou que leve as canções a um nível diferente. Todo o aspecto humano do disco trabalha a favor do objetivo do grupo, que é soar sensível e fácil.

No geral, Oh My My tem um repertório longo – 16 faixas –, mas com faixas que possuem os mesmos clichês e a mesma fórmula composicional da banda, que revela o desejo de permanecer exatamente onde já estão e não trilhar caminhos diferentes. Ryan usa mais os seus falsetes suaves e açucarados em boa parte das suas vocalizações, assim como usou em “Apologize”. As bases continuam simples, com poucos detalhes e quase nenhum que prenda a atenção. E mesmo que a banda seja rotulada como pop rock, não temos muito de rock por aqui.

Em “Fingertips”, eles abrem mão de bateria e ritmo acentuado para trabalhar algo mais climático, calcado nos vocais manjados de Ryan. “Dream” possui até um arranjo base um tanto interessante, mas o desenvolvimento não ajuda e acaba chafurdando nos clichês. Assim como “Let’s Hurt Tonight”, que possui melodias e harmonias superbatidas. “Heaven” é o ápice da sensibilidade das escolhas da banda: tudo soa acessível e doce demais. “Wherever I Go” é a típica produção superpolida para as pistas. O único destaque é o início de “NbHD” que traz um clima meio indie e é um dos poucos momentos em que a banda se diferencia um pouco. No entanto, do meio para a frente, o indie perde espaço para o pop colorido e você percebe que eles não gastam muito tempo tentando pensar diferente.

O disco possui a inusitada participação de Peter Gabriel, ex-vocalista do Genesis, na música “A.I”. O duo francês Cassius também contribui com a faixa-título. Mas a participação de ambos não é muito significativa, nem relevante.

Neste novo trabalho, o OneRepublic mantém a regularidade que marca sua carreira. Todos os discos são bem parecidos, podem estar na mesma prateleira, do mesmo tipo de ouvinte. A banda tenta mais uma vez o sucesso grandioso dos anteriores, e sabemos que com esse disco eles têm tudo para continuar nas rádios e fazendo turnês bem lucrativas.

Porém, trata-se de um pop que não impressiona. É o pop para ganhar dinheiro rápido, fazer barulho, conquistar jovens na internet, mas sem muito a dizer ou a contribuir em termos artísticos. É o tipo de som que faz sucesso rápido, mas também some rapidamente. Justamente porque o mercado está cada vez mais competitivo e bandas como o OneRepublic surgem a toda hora por aí.

Em um ano que o pop impressionou (vide a veterana Lady Gaga e o novato Shawn Mendes), algumas bandas como MAGIC, Bastille e o OneRepublic continuam apostando no mais do mesmo. E a tendência é que continuem. Enquanto existirem fãs que não ligam para algo original ou marcante e que não se importam de ouvir as mesmas ideias de harmonias e melodias milhões de vezes, essas bandas existirão para satisfazer essa necessidade. E quem ganha com isso? As gravadoras e os artistas, é claro. E assim as rádios continuam com suas playlists cheias de músicas conservadoras e nada originais.

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