2016 Metal Resenhas

Darkthrone – Arctic Thunder (2016)

De volta ao black metal puro, dupla norueguesa não inova, mas empolga

Por Lucas Scaliza

A comunidade black metal tem um motivo para sorrir em 2016: após deixar o estilo de lado para fazer músicas mais próximas do crust punk, a dupla Fenriz e Nocturno Culto voltou ao black metal seco e direto de antigamente. O novo disco, Arctic Thunder, é uma homenagem a uma banda homônima de black metal que esteve ativa na Noruega entre 1985 e 1989. Não poderiam homenageá-los corretamente se não exercitassem o estilo que os revelou e que ajudou a dar forma ao black metal que temos hoje com discos seminais como A Blaze in the Northern Sky (1991), Under a Funeral Moon (1992) e Transilvanian Hunger (1994).

Mas não pense que o Darkthrone voltou a fazer o mesmo metal seco e com baterias retilíneas dos três discos citados. Assim como a qualidade da gravação melhorou, também melhorou a abordagem da dupla sobre a música que fazem. Nocturno Culto, que dividia sua voz com os vocais limpos de Fenriz em discos recentes, voltou a colocar sua garganta em perigo e canta com um gutural sujo e arrastado ao longo de todo o disco.

darkthrone_2016_2

Grande parte das faixas, como “Tundra Leech”, “Boreal Fiends”, “Inbreed Vermin” e “Arctic Thunder”, possuem alternância de dinâmica, o que ajuda a manter nosso interesse na música que estão propondo. A excelente “Throw Me Through The Marshes” aposta até em levadas mais lentas e, por isso mesmo, acaba soando mais sombria. Os riffs arrastados fazem cada nota valer a pena. Já “Burial Bliss” é mais brutal e acelerada do começo ao fim. “Deep Lake Tresspass” é mais divertida e não fosse pelo gutural de Fenriz, passaria fácil como uma música de speed metal.

O Darkthrone tem uma história no black metal e um grande legado. Arctic Thunder se encaixa bem na discografia da banda, mas é só isso. Com o desenvolvimento do estilo, e do metal em geral, o novo disco parece apostar em ideias recicladas. A pegada de Culto e Fenriz é boa e firme, mas longe de fazer deste álbum algo memorável para quem procura um novo jeito de expressar o ódio e a inadequação com a música extrema. Mas Arctic Thunder pode soar muito melhor para quem se importa com a versão old school do black metal. A assinatura da banda –com seu som potente, orgânico e direto – está presente em todas as outras faixas. E mesmo que brinquem com a dinâmica e às vezes mudem de ritmo e façam breaks instrumentais –como em “The Wyoming Distance” –, tomam o cuidado de nunca cair no progressivo para não descaracterizar a proposta do trabalho.

Pode ser um desses discos que a princípio não impressionam tanto, um trabalho cujo legado e consistência de seus criadores emprestam a relevância que, a princípio novamente, falte ao álbum como um todo neste momento. Afinal, em vista de várias outras experiências que ouvimos por aí, Arctic Thunder não assusta. Porém, a veia menos técnica e mais crust que interessa bastante principalmente a Fenriz confere certa vibe divertida e menos carrancuda.

Já que não põe medo e não tenta ser inovador, o que Arctic Thunder tem de melhor, no final das contas, é a capacidade de recuperar alguns formatos do metal extremo oitentista e dar a eles uma produção mais moderna, mesmo que essa modernidade não represente o que há de mais atual para o estilo. Sem desmerecer as experiências dos últimos álbuns, é bom ver o Darkthrone novamente de volta ao lado mais gélido do metal.

darkthrone_2016

0 comentário em “Darkthrone – Arctic Thunder (2016)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: