2016 Metal Resenhas

Suicidal Tendencies – World Gone Mad (2016)

Se for o último, será um jeito glorioso de encerrar a carreira

Por Gabriel Sacramento

O Suicidal Tendencies é uma das bandas mais interessantes e essencialmente divertidas que surgiram nos anos 80 na Califórnia. Vale lembrar que é o mesmo estado do Metallica, Megadeth, Testament, Exodus e outras bandas de thrash metal que acabaram nos oferecendo uma visão ainda mais pesada do que era conhecido como metal. E o Suicidal surfou nessa onda, mas o lance deles é muito mais criativo e despojado: eles curtem misturar o thrash com hardcore punk, funk e rap, criando um estilo único, muitas vezes denominado skate punk.

Justamente por isso, a carreira da banda é marcada por uma musicalidade que permite aos músicos explorar diversos direcionamentos sem soar confuso. Embora sempre fiéis a um som urbano, que fala a linguagem das pessoas mais comuns, sem ser rebuscado, pode agradar fãs de rap e fãs de metal igualmente.

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Neste novo disco, World Gone Mad, apenas o guitarrista Dean Pleasants e o vocalista Mike Muir são os remanescentes dos tempos antigos e do último disco, 13 (2013). Jeff Pogan foi chamado para fazer guitarras, o fantástico Dave Lombardo (Slayer, Testament) para a bateria e Ra Díaz para o baixo (instrumento que já foi tocado pelo Roberto Trujillo, hoje no Metallica). A produção é assinada por um cara famoso no meio do progressivo, Paul Northfield, que trabalhou com Rush, Dream Theater e Porcupine Tree.

O disco começa com uma homenagem a Ozzy Osbourne em “Clap Like Ozzy”, com direito a acentos velozes, slaps de baixo e a frase “All right, now”, eternizada pelo mad man de Birmingham. Para fechar, eles colocam uma música forte com uma letra crítica e intrigante. “Este mundo não merece meu amor”, canta um Mike Muir calmo em “This World”, enquanto constrói seu argumento e tenta nos convencer de que não pertence a esse mundo terrível. A música permanece tranquila e, embora ameace aumentar no final, não aumenta. “The New Degeneration” começa com um discurso em primeiro plano e um solo de bateria de Lombardo ao fundo. A canção é arrastada no início e se desenvolve em doses cavalares de distorção e palhetadas abafadas. Logo depois, ganha velocidade e solos intermitentes.

Ainda na primeira parte do disco, temos “Living For Life” e “Get Your Fight On”, que não deixam cair a empolgação. Ambas vão ganhando velocidade e peso à medida que se desenvolvem. Com uma melodia até grudenta, a faixa-título surge misturando momentos melódicos com instantes tipicamente hardcore, com direito a gritos dos backing vocals (os chamados gang-vocals). Então, na segunda parte do álbum, temos “Happy Never After”, “Damage Control” e a rápida “The Struggle is Real”, que mantém os riffs afiadíssimos, as variações de dinâmica precisas e, assim, mantêm o ouvinte empolgado.

World Gone Mad quase não nos deixa respirar. É porrada depois de porrada, interrompidas apenas por momentos escassos de calmaria. No entanto, o Suicidal Tendencies soa fantástico, mesmo que, de certa forma, repetindo a receita durante todo o disco. Isso porque as canções são excelentes. Empolgam e divertem, enquanto oferecem peso e energia. Devem funcionar perfeitamente ao vivo.

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Não é um disco totalmente linear. As partes menos pesadas são decisivas para determinar a qualidade do trabalho, pois são elas que conectam as diferentes referências que o grupo nos entrega, tudo para fazer algo forte e pesado, mas, sobretudo, com a originalidade característica dos californianos.

Quanto aos músicos: falar bem de Dave Lombardo é chover no molhado. Portanto, me pouparei de tecer comentários acerca do seu – sempre extraordinário – trabalho com as baquetas. Já o resto da banda soa muito bem harmonizada com o baterista. Mike Muir ainda é o mesmo e mostra o seu jeitão de cantar que deixa tudo mais irreverente. A dupla de guitarristas entrega riffs cortantes, agressivos, saturados e solos rápidos, cheio de notas iguais aos do thrash metal.

World Gone Mad é um dos melhores lançamentos de hardcore do ano. Colocaria ao lado de The Concrete Confessional do Hatebreed, com a diferença que o Suicidal Tendencies usa mais ideias diferentes e soa mais criativo que os caras da Costa Leste. Mas, definitivamente, são dois dos grandes lançamentos do estilo. Além de soar bom para o estilo, o Suicidal soa muito bem para o metal no geral. Sua proposta sonora arriscada, mas ao mesmo tempo segura, representa um dos pontos altos da música pesada no ano.

Se World Gone Mad for mesmo o último álbum do grupo, será um jeito glorioso de encerrar uma carreira frutífera, mantendo as características e louvando o legado e a posição da banda dentro da cena hardcore mundial. É um disco que pode estar entre os grandes da banda, como Join The Army (1987) e Free Your Soul and Save My Mind (2000). Fechamento com chave de ouro!

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2 comentários em “Suicidal Tendencies – World Gone Mad (2016)

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