2016 Indie Resenhas Rock

Bon Jovi – This House Is Not For Sale (2016)

Sem Richie Sambora pela primeira vez, Bon Jovi segue em frente e cai no indie rock

Por Lucas Scaliza

O hair metal ou hard rock que o Bom Jovi representou nos anos 80 e 90 se foi há bastante tempo. Com a virada do milênio e a volta com o disco Crush (2000) após uma pausa, a banda vem tentando atualizar seu som. Sempre que Jon Bon Jovi, o vocalista e líder do grupo, diz que seu próximo disco vai ser “muito rock’n’roll”, isso sempre quis dizer que seria um pop/rock mais afeito às novas gerações, mais brando e menos… hard rock. Além de o rock dos últimos 13 anos nunca ter chegado ao nível daquele do passado, sempre parecia que a banda estava apostando em algo muito genérico e poucas faixas de cada álbum revelava o real potencial de Bon Jovi, Tico Torres e Richie Sambora.

Se os últimos sete discos da banda trouxeram pouca novidade (incluindo aí o fraco Burning Bridges, lançado em 2015 com sobras de estúdio e apenas para cumprir contrato com gravadora), This House Is Not For Sale surge como um esforço intrigante. O primeiro single e música de abertura, “This House Is Not For Sale”, é o único lembrete de que o Bon Jovi tenta emular o hard rock de outrora. Todas as demais faixas levam o álbum na direção do indie rock. Não é o Bon Jovi que você espera, mas causa mais surpresa do que decepção.

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This House Is Not For Sale é o primeiro disco da banda com o guitarrista Richie Sambora completamente fora da banda (ele saiu em 2013, no meio da turnê Because We Can) e substituído por Phil X, músico que já contribuiu com Orianthi, Avril Lavigne, Halestorm, Apocalyptica, Chris Cornell, Kelly Clarkson, Alice Cooper, Rob Zombie e vários outros. Apesar de ser um grande guitarrista, à altura da tarefa de substituir Sambora ao vivo e fazer todas as partes de guitarra imortalizadas por ele entre 1984 e 1994, Phil X tem poucas chances de mostrar o seu poder de fogo no álbum. Como a direção é mais indie, solos de guitarra são pouco valorizados. Então ele mostra o que sabe criando bases versáteis e interessantes – algo que faltava ao Bon Jovi nos últimos anos – em faixas como “Living With The Ghost”, “Born Again”, “Roller Coaster” e “New Year’s Day”.

É fácil perceber que a direção musical mudou. Você se pega ouvindo a voz de Jon Bon Jovi – uma das mais conhecidas e distintas da história do rock nos últimos 30 anos – em canções que poderiam ser do U2, do Kaiser Chiefs (antes de virarem pop), do The Killers, do Kings Of Leon e até do Mumford & Sons. Fica até parecendo que o álbum foi produzido pelo Markus Dravs. Mas não, o trabalho foi produzido pelo próprio vocalista e por John Shanks, que está com a banda desde Have A Nice Day (2005) e é o guitarrista base ao vivo do Bon Jovi desde então.

Jon não entrega mais os mesmos vocais que antigamente. É natural que, após 30 anos, sua voz não consiga subir tanto quanto antes. Mas isso não faz falta em This House Is Not For Sale, pois o cantor parece estar se divertindo bastante com suas novas músicas e entrega performances excelentes. Porém, tenha em mente que a atualização de som dele aqui é voltada para o indie rock. A interpretação em “The Devil’s In The Temple”, o refrão melodioso de “Roller Coaster”, e a forma como manipula a intensidade em “Labor Of Love” faz desta uma das melhores faixas do álbum.

A versão deluxe tem 17 faixas, o que é um tanto excessivo. Bon Jovi há vários anos não é capaz de fazer um disco em que cada música seja uma entidade por si só e tenha características únicas dentro de um álbum – algo que Lady Gaga recentemente fez muito bem em Joanne – e alonga muito o trabalho só aumenta a impressão de estar reutilizando ideias genéricas. A balada de piano “Real Love” seria o encerramento perfeito. Até ela, a banda conseguiu mandar bem seu recado sem precisar se repetir tanto. As quatro faixas restantes apenas aprofundam a experiência de Bon Jovi em um som diferente, com direito a uma faixa mais oitentista (“I Will Drive You Home”) e outro totalmente U2 (“Goodnight New York”).

A capa de This House Is Not For Sale é uma fotografia de Jerry Uelsmann mostrando uma casa antiga totalmente tomada por grandes e gordas raízes que a sustentam. Jon Bon Jovi disse que ficou inspirado pela fotografia vários anos antes da gravação do novo álbum, chegando a dizer que a foto “contou a nossa história”. Qualquer um que conheça um pouco da discografia da banda sabe que há muito tempo as raízes foram sendo cortadas. O mais recente disco mantém-se no terreno do rock, mas um rock muito diferente daquele que qualquer um reconhece como a grande contribuição da banda para o estilo. Contudo, ao vivo, Bon Jovi sempre confia em um caminhão de sucessos que fazem mais parte dos primeiros 10 anos do grupo do que dos 20 seguintes.

Mais do que em qualquer outro álbum, Jon Bon Jovi seguiu em frente de verdade dessa vez. Não espere a explosão ou a intensidade dramática de “Bed Of Roses”, “Always”, “Wanted Dead Or Alive” ou de qualquer outro clássico que você se lembre. É um trabalho divertido e com composições que funcionam. Mas esqueça as raízes.

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1 comentário em “Bon Jovi – This House Is Not For Sale (2016)

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