James Arthur – Back From The Edge (2016)

Quando problemas de uma vida conturbada geram um ótimo disco

Por Gabriel Sacramento

Quando custa o sucesso? Você imagina o quão difícil deve ser se tornar famoso? Estar o tempo todo vigiado pode fazer as pessoas fingirem serem outras na frente das câmeras. Outras simplesmente são elas mesmas, embora às vezes se arrependam quando encaram as consequências de suas ações e declarações.

Há também o problema enfrentado por quem vê sua vida mudar instantaneamente devido a um sucesso estrondoso que chega de uma hora para outra. É difícil de acostumar e não é todo mundo que sabe lidar com isso. Muitos até desistem da carreira artística, mesmo quando sucesso também é sinônimo de reconhecimento.

James Arthur

James Arthur está muito ciente disso e resolveu fazer de seu novo disco um livro musical para contar suas histórias.

Depois de várias controvérsias, inclusive uma relacionada à insultos homofóbicos em público, o cantor britânico, que venceu o X Factor em 2012, acabou sendo demitido da sua gravadora, Syco Records. E obviamente seu nome ficou marcado pelo ocorrido. Desde então, sua vida pessoal foi infestada por diversos problemas. Arthur superou as dificuldades, lançou um single que alcançou o topo das paradas (“Say You Won’t Let Go”), conseguiu o contrato com a sua gravadora de volta e gravou um ótimo álbum, Back From The Edge.

Back From the Edge é, acima de tudo, um disco pessoal. A gravadora se mostrou um tanto relutante com o lançamento, pois no contexto pop em que James está inserido é arriscado ser tão sincero. Ouvimos James cantar sobre seus demônios internos na faixa-título, sobre seus problemas com drogas e álcool em “Prisoner”, sobre sua luta com desejos suicidas em “Train Wreck” e, acima de tudo, sobre os problemas pessoais que envolveram sua participação e vitória no X Factor, como ansiedade e falta de confiança. Back From The Edge é o livro aberto de James Arthur, disponível para todos que quiseram saber como é experimentar o sucesso tão rapidamente como ele experimentou e enfrentar as consequências de suas ações (como ele também enfrentou).

Musicalmente, temos mais do seu pop ganchudo, melancólico e de muito bom gosto. Ele lança mão de ideias interessantes que fazem alusão à diferentes estilos, embora não abra mão do pop. Temos vários pontos fortes: o groove de faixas como “Prisoner” e “Sober”; as ótimas e nada óbvias melodias de faixas como “Back From The Edge”; a atmosfera de faixas como “Train Wreck”, que soa melancólica, com espaço para uma interpretação bem emotiva – e fantástica – do cantor; baladas simples e belas como “Finally”; a melancolia mesclada com texturas diferentes em “If Only”; e arranjos vocais interessantes, como em “Phoenix”.

Intimista, bem elaborado, acessível e com uma abordagem bem singular do pop: Back From The Edge representa um esforço válido de James Arthur para competir com nomes já bem estabelecidos no Reino Unido, como Sam Smith e Ed Sheeran. É um álbum melhor que sua estreia de 2013 e mostra um cantor bem diferente daquele que venceu o X Factor, acostumado à performances grandiosas para impressionar jurados. Aqui, ele se importa com a força da sua expressão, com o quão sincero está sendo, buscando a redenção enquanto rasga seu coração para os ouvintes. Mais maduro e acostumado aos problemas da vida, ele mistura raiva e paixão em suas interpretações, apresentando um pop bem pensado e nos convencendo acerca da consistência da sua arte.

james_arthur_2016

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