Jimmy Eat World – Integrity Blues (2016)

Até possui boas canções, mas falta energia e adrenalina

Por Gabriel Sacramento

Como soar pesado e jovial ao mesmo tempo? Como não abrir mão de uma identidade roqueira e agressiva e ao mesmo tempo agradar jovens? Pergunte ao Jimmy Eat World. Eles têm (ou pelo menos tinham) a fórmula.

Com ótimos discos como Bleed American (2001) e Clarity (1999), a banda se consolidou como uma das grandes referências do rock alternativo e emo/post-hardcore. Os discos foram muito importantes para uma geração de bandas e que fizeram sucesso entre jovens roqueiros. O equilíbrio que traziam também permitia que os fãs de rock mais pesado prestassem atenção ao Jimmy Eat World, expandindo e diversificando ainda mais o seu público.

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Damage (2014) já anunciava e confirmava a nova fase da banda: mais leve e melódica, sem tanta agressividade e atitude como antes. Em Integrity Blues eles mostram um som ainda mais amigável e menos pesado. Os violões que abrem “You With Me” não deixam nenhuma dúvida de que estamos diante de um pop/rock bem acessível inclusive, com um refrão pop que lembra o Kaiser Chiefs em seu novo álbum (que também discutimos neste podcast). “Pass The Baby” é um dos pontos altos. Começa simples e atmosférica, até cair em um refrão fofo e terminar com um riff bem pesado, que lembra o trabalho de guitarras dos velhos tempos. “Get Right” é de certa forma uma reafirmação do estilo e da veia emo da banda. “It Matters”, “Sure and Certain” e “You Are Free” são exemplos da sonoridade supermelódica e contida que dá o tom do álbum.

Integrity Blues é o Jimmy Eat World diluindo ainda mais a agressividade e a energia dos discos clássicos em passagens acessíveis e simples. O disco possui até canções bacanas, mas falta energia, adrenalina e vigor para convencer completamente. O pop sobrepõe-se ao rock em uma sonoridade rúptil, sem muita força e consistência. Isso mostra que a magia do equilíbrio se perdeu ao longo dos anos.

O novo álbum foi produzido por Justin Meldal-Johnsen, que já trabalhou com o Paramore e com o M83 no álbum Junk. O trabalho de guitarras de Jim Adkins e Tom Linton é até interessante embora seja um dos fatores que mais deixam na cara a falta de peso. Em muitos momentos, ouvimos muitas camadas de guitarra, mas sem a intenção de soar pesado, mas sim denso. Ou seja, o que em outros contextos reforçaria agressividade, aqui é usado mais para preencher espaços.

O Jimmy Eat World é uma das bandas que tocarão no Lollapalooza em 2017. Por mais legais que soem as faixas do novo álbum, não devem soar tão bem ao vivo, por isso a banda deve recorrer à muitos dos antigos hits para fazer o show valer a pena.

Comparando com o American Football, que também fez parte da cena do rock emo no começo do século – e que recentemente, lançou um ótimo disco novo, que é continuação do début –, percebemos ainda mais a diferença no JEW de agora para o JEW que popularizou o emo. O de hoje soa bem mais rendido ao pop e à vontade de soar mais superficial, enquanto que o American Football soa hoje tão particular quanto soava 17 anos atrás, em sua estreia.

Vale ressaltar que os limites da zona de conforto foram respeitados. Com Integrity Blues, o quarteto soa ainda mais pop, mas dentro do seu espectro pop/rock. Ou seja, não é muito diferente do que já apresentaram. O novo álbum não é grande coisa se comparado com o que a banda já fez e é capaz de fazer, embora possa ser uma experiência agradável para quem não conhece nada deles.

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