2016 Jazz Metal Resenhas

Animals As Leaders – The Madness Of Many (2016)

Ainda bastante técnico, mas sempre borrando as fronteiras do fusion, metal e prog

Por Lucas Scaliza

Das bandas de rock e metal instrumental, o Animals As Leaders se destaca pela proposta extremamente técnica, pelo uso da guitarra de oito cordas, os flertes com o jazz e pelos riffs djent que toda a comunidade metaleira espera ver de Tosin Abasi, o talentoso músico americano que comanda a banda.

O disco mostra bem todas as vertentes da banda, indo do melódio ao arrastado com muito graça, explorando harmonias sofisticadas e, logo depois, com distorção pesada e riffs poderosos, mostra dissonância. Como “Arithmophobia” deixa claro desde o princípio, trata-se de uma música instrumental bastante cerebral. As mudanças de compasso são intrigantes, de deixar qualquer aficionado com a marcação do tempo feliz ao ponto de sentir-se desafiado.

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A dupla de guitarristas Abasi e Javier Reyes estão mais técnicos do que nunca. Chegam a soar frios em alguns pontos – e aí se aproximam bastante do estilo do Meshuggah, mas sem os guturais. Mas são espertos o suficiente para saberem que alternar entre riffs puramente técnicos e passagens mais harmônicas quebra o gelo da técnica e entrega uma abordagem guitarrística mais emocional. Embora seja linda a técnica de guitarra de Abasi e Reyes, ela precisa estar a serviço da composição, não do show off. Por isso as constantes variações no humor e na pegada são importantes. O solo de “Cognitive Contortions” lembra bastante Steve Vai. Já o de “Arithmophobia” é mais na onda de John Petrucci. E os flertes mais jazzísticos soam como uma versão mais sisuda e encorpada do The Aristocrats, como na ótima “The Glass Bridge”.

O espaço do baixo está sempre garantido. Em faixas como “Inner Assassin” o instrumento segura as pontas e mantém o ritmo constante da música. Em “Private Visions Of The World” e “Ectogenesis” o baixo mostra seus riffs e sua capacidade de ser um instrumento solo de destaque, emulando bastante o estilo progressivo de Evan Brewer. Já o baterista Matt Garstka tem oportunidade de mostrar que é um cara flexível. Bate no kit tanto como um músico de metal (forte e determinado) como o baterista mais técnico que precisa acompanhar um guitarrista solo. Essas vertentes estão em “Transcentience”. Mas o que chama a atenção mesmo é o lado mais prog e fusion, com fraseados de tempos alternados – como em “Backpfeifengesicht”, mas é o lado que Garstka mais exercita ao longo do álbum, podendo ser ouvido em praticamente todas as faixas.

Há espaço também para Abasi e Reyes mostrarem como transportam bem o estilo complexo de sua música para violões. “The Brain Dance” e “Apeirophobia” é o lado mais leve do trio e um dos mais interessantes de The Madness Of Many. A primeira é melodiosa e até tem um momento em que se rende aos riffs típicos da banda, mas brilha mesmo quando dá espaço para os arpejos rebuscados e harmônicos. O solo de Abasi com a guitarra é o melhor do disco e conecta-se sem esforço e sem pressão com o ouvinte. Já a segunda é muito mais flamenca. Ainda mantém alguns maneirismos da banda, mas prioriza as emoções. A falta de teclados, bateria e baixo acaba ressaltando a alma da composição, sem distrações.

Embora continue mantendo a banda em um patamar bastante elevado seja na música instrumental ou na progressiva, The Madness Of Many não é o melhor disco do grupo. The Joy Of Motion (2014) parece ainda representar um pico bastante alto do trio e deve ser conferido (caso ainda não conheça). Mesmo assim, o novo álbum do Animals As Leaders é um tipo de música bastante interessante entre o metal, o fusion e instrumental que não se limita a nenhuma dessas fronteiras, sempre mostrando que dá para ir mais fundo, sem perder a musicalidade e nem chafurdar no djent e esquecer que dá para fazer muito mais com as oito cordas de uma guitarra.

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2 comentários em “Animals As Leaders – The Madness Of Many (2016)

  1. “O espaço do baixo está sempre garantido. Em faixas como “Inner Assassin” o instrumento segura as pontas e mantém o ritmo constante da música.”

    Ok, mas a banda não tem baixo nem baixista, boa resenha, mas… precisamos melhorar hehe, abraço

    • Olá, Anônimo. Seguinte, ou eu ou você ou ambos estamos surdos. 🙂
      A banda pode não ter baixista, alguém destacado para essa função, ok, mas na gravação em estúdio do álbum há baixo, tocado pelo Javier. Isso está inclusive nos créditos da obra. Caso não tenha o disco original em mãos, na Wikipedia consta a informação também.
      E no disco anterior de 2014 convidaram o Misha Mansoor e o Adam Nolly Getgood para a função do baixo.
      Acho que agora melhorei! 😀

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