2016 Eletronica r&b Resenhas

The Weeknd – Starboy (2016)

Starboy é The Weeknd indo mais fundo no eletrônico e mais dançante

Por Gabriel Sacramento

Neste ano de vários lançamentos R&B que fizeram barulho no cenário musical, como Beyoncé e seu Lemonade, Solange e A Seat At The Table, Frank Ocean com Blonde, Alicia Keys com Here e Blood Orange com Freetown Sound, um dos mais aguardados do gênero finalmente está entre nós: Starboy, do The Weeknd. Depois do bem sucedido Beauty Behind The Madness, que foi o décimo álbum mais vendido de 2015, o cantor volta com uma tentativa válida de se manter no mainstream sem necessariamente tentar imitar o álbum anterior.

Isso é um mérito. É comum que um artista tente aplicar a mesma fórmula do álbum mais premiado nos seguintes, o que às vezes acaba prejudicando o resultado final. Isso não acontece com The Weeknd: o canadense sabe do seu sucesso, tenta manter sua identidade, mas investe em um som diferente no novo álbum.

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Starboy, o título do álbum, vem de uma gíria do inglês que significa “popular”. E o cantor fala abertamente do seu sucesso e do prestígio que conquistou com as vendas do disco anterior. Um pouco parecido com o que James Arthur fez em seu novo álbum, só que menos sincero e profundo. Ele também fala de seus relacionamentos amorosos, seus casos com mulheres, deixando claro sua preferências por um relacionamento dessa vez.

Se em Kiss Land (2013) – seu primeiro álbum de estúdio – havia bases densas e seus comuns vocais cheios de sensualidade e suíngue, em Beauty Behind The Madness The Weeknd aprofundou as características climáticas e minimalistas do seu estilo, trazendo um pouco mais de instrumentação orgânica e hits certeiros. Já Starboy é o mais eletrônico dos três, explorando batidas e samples mais robustos que sugerem uma produção mais esmerada na parte eletrônica. É também o mais dançante, uma faceta não muito comum nos outros álbuns dele. É menos eficiente no que diz respeito aos hits que o anterior, embora emplaque algumas canções que certamente terão seu espaço.

Alguns pontos positivos do álbum são a faixa-título, “Party Monster”, “Rocking”, “Love To Lay”, “I Feel It Coming” e “A Lonely Night”. Todas com vocais irresistíveis trazendo a pegada típica R&B combinados com bases eletrônicas simples. “I Feel it Coming” é dançante e traz a produção do Daft Punk. Assim como comentamos no episódio 14 de nosso podcast, a participação do duo francês é tímida, mas a faixa continua sendo uma ótima canção de The Weeknd no final das contas. Ou seja, a participação dos franceses não foi tão boa no sentido de imprimir as características da dupla, mas acabou pesando positivamente para a qualidade da canção. A faixa-título também traz o Daft Punk quase imperceptível, mas é uma ótima canção do disco, com uma base grave e profunda e os ótimos vocais em primeiro plano. “Secrets” traz um sample de “Pale Shelter” do Tears For Fears e é uma semibaladinha que se mantém fiel ao estilo das outras faixas.

A voz de The Weeknd parece estar mais próxima do timbre de Michael Jackson neste álbum. Em muitos momentos, ele deixa claro essa influência, trazendo alguns trejeitos do estilo vocal do Rei do Pop. Percebemos isso facilmente em “A Lonely Night”, que ainda possui umas harmonias vocais muito bem colocadas.

Como um bom álbum pop, Starboy possui diversas parcerias com artistas tão (ou mais) famosos quanto ele. Temos o rapper Kendrick Lamar com um rap fantástico em “Sidewalks”, daqueles que farão muita gente correr atrás dos seus discos. Lana Del Rey participa em “Party Monster” e no interlúdio “Stargirl Interlude”. O rapper Future contribui com “Six Feet Under” e “All I Know”, além do já citado Daft Punk por trás da produção de “Starboy” e “I Feel it Coming”.

O álbum tem 18 faixas – e isso é um defeito. Por ser muito longo, The Weeknd acaba perdendo tempo com fillers – canções que reciclam ideias já utilizadas e que poderiam ser tiradas do álbum sem prejudicar o resultado final. Alguns exemplos são “Six Feet Under”, “All I Know” e “Attention”. O número extenso de faixas acaba tornando a audição cansativa e atrapalhando o efeito das canções mais marcantes.

Se em “I Can’t Feel My Face”, sucesso do álbum de 2015, o cantor canadense já tinha mostrado essa faceta mais eletrônica, dançante e acessível do seu trabalho, ele a aprofunda em Starboy, trazendo muitas canções que são coesas e trabalham juntas para anunciar esse novo direcionamento do astro pop. O disco possui ótimos hits que deixam claro a pretensão de The Weeknd e como ele almeja chegar ao topo com qualidade. Pensando em sua carreira, sua regularidade e disposição de entregar sempre bons álbuns é indiscutível. Ou seja, Starboy é um bom disco de um cara que até então nos deixa acostumados com bons resultados.

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5 comentários em “The Weeknd – Starboy (2016)

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