2016 Pop r&b Rap/Hip-Hop Resenhas Soul

John Legend – Darkness And Light (2016)

Novo disco evidencia a evolução do cantor

Por Gabriel Sacramento

Depois do mega sucesso de “All of Me”, que desbancou até o hit “Happy” do Pharrel Williams nas paradas em 2013, John Legend parece ter gostado da fórmula que experimentou no álbum e na faixa, resolvendo entregar mais um trabalho que segue as mesmas ideias. Três anos depois de Love in The Future, ele lança Darkness And Light, que também é mais coeso e tem menos faixas.

O R&B de Legend sempre foi marcado por um resgate interessante da soul music do passado, misturado a elementos de hip-hop também. O cantor sempre variou entre o R&B mais tradicional e o neo soul. Mas em Love In The Future ele buscou aprofundar seu som, trazendo mais dinâmica e um pouco mais de gospel – uma influência bem notável que faz ele soar como Kirk Franklin e Fred Hammond algumas vezes.

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Além desse quê gospel, Legend também trazia um minimalismo caracterizado pela predominância do piano nas canções e poucos elementos eletrônicos. Ele se diferencia dos cantores R&B justamente por trazer menos harmonias vocais, como a galera dos anos 90, e não se valer de excessos eletrônicos, como os artistas R&B atuais. Estes foram alguns dos principais fatores de destaque no disco anterior que ele conseguiu preservar muito bem em Darkness And Light.

Legend chegou a dizer que este seria o seu melhor trabalho até agora. Acerca do título, o produtor Blake Mills disse: “É um manifesto que vai contra o comum, nos lembrando que embora a escuridão seja prevalente, é a luz que nos levará adiante”. Para este novo trabalho, ele contou com vários produtores, mas principalmente com o já citado Blake Mills – o mesmo que produziu o Alabama Shakes no seu magnum opus Sound & Color (2015).

A faixa-título apresenta, inclusive, uma parceria com a fantástica Brittany Howard, do AS, e possui uma sonoridade meio retrô cheia de pausas que explode em um refrão gritado que lembra muito Sound & Color. A voz de Legend vai dos falsetes aveludados aos gritos fortes que combinam com a faixa. As duas vozes se encaixam bem e a canção não soa tão extravagante como soaria no álbum do Alabam Shakes, mas soa como uma boa releitura do estilo. Outra das participações é a de Chance The Rapper em “Penthouse Floor”, que traz backing-vocals típicos do gospel, uma interpretação bem sensível da parte do vocalista e uma ótima parte de rap feita pelo convidado. Aliás, mesclar gospel, soul e hip-hop é algo que o Legend sabe fazer como poucos.

O cantor recentemente se tornou pai e também se mostra apaixonado por sua filha, Luna, dedicando duas canções a ela: “Right By You (For Luna)” e “Love me Now”. A primeira traz desdobramentos harmônicos e melódicos tão sofisticados – e incomuns no pop mais acessível – que faz o ouvinte se perder entre a melodia belíssima e a qualidade do instrumental. É a melhor faixa do álbum. A segunda, por sua vez, é mais ritmada e possui elementos que me lembram essa nova – e terrível – fase do Maroon 5. Não chega a ser ruim, mas é uma canção mais fácil, feita para ser single.

John Legend continua bem orgânico e não se rende aos modernismos eletrônicos o tempo todo. A única faixa que vai fundo no eletrônico, ainda que com muito cuidado, é “What You Do To Me”. No geral, sua preocupação está em fazer um pop/R&B bem elaborado, mas que soe acessível, extremamente melódico e tranquilo de ouvir. Em alguns momentos, podemos dizer que as melodias e os caminhos que Legend trilha são um tanto previsíveis, como em “How Can I Blame You”, mas isso é feito com classe, o que torna as canções especiais e lindas mesmo assim.

A produção do Mills acertou muito no sentido de tirar o melhor do artista. Legend soa sincero e continua cantando muito bem, com instrumentais que servem à sua voz perfeitamente. Por ser mais maduro, mais conciso e aprofundar ainda mais seu estilo, muito influenciado pelo gospel, pode ser considerado de fato o seu melhor trabalho e mais uma prova de que John Legend está em uma evolução constante e muito interessante.

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4 comentários em “John Legend – Darkness And Light (2016)

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