2016 Metal Resenhas

Dark Tranquility – Atoma (2016)

Mais um ótimo lançamento de uma das melhores bandas de metal sueco

Por Gabriel Sacramento

Recentemente, falei do In Flames, uma banda sueca egressa de um movimento musical chamado “som de Gotemburgo” que fazia death metal melódico. Enquanto criticava o disco deles, apresentei um overview do estilo e como ele influenciou outras vertentes do metal contemporâneo. Agora, falarei sobre outra banda que veio da mesma cena, mas que com o passar do tempo se tornou ainda mais pesada e singular: o Dark Tranquility.

É uma das bandas daquele estilo sueco que mais lança discos atualmente. O mérito deles consiste justamente no que já falei: com o passar dos anos, o som do grupo se tornou ainda mais consistente, super pesado, caótico, próximo ao black metal e com uma sofisticação harmônica e melódica impressionante. É tudo feito com uma originalidade muito grande – eles soam como eles mesmos, respeitando as raízes –, diferente dos seus conterrâneos que soam como uma versão sueca de um estilo americano.

dark_tranquility_2016

Depois do fabuloso Construst (2013), a banda mudou sua formação, mas a pegada é a mesma. Antes, tínhamos duas guitarras, já no novo álbum, Atoma, temos apenas Niklas Sundin nas seis cordas e o baixista Anders Iwers (que já tocou no In Flames) se juntou ao time.

O novo disco é um conjunto de canções fortíssimas, sólidas e harmonicamente belas. A beleza com que estes suecos constroem harmonias, adicionando teclados climáticos de Martin Brändström à mistura, é extremamente admirável. Os teclados não encontram tanto espaço quanto encontravam em canções como “Senses Tied”, do álbum Character (2005), mas se estão inseridos na grande e sombria massa de distorção das faixas, se destacando mesmo assim. “Encircled”, por exemplo, abre o disco com uma passagem que você sabe que é o refrão, por ser mais harmônico e denso. O vocal gutural do Mikael Stanne se encaixa perfeitamente nas harmonias e melodias que surgem dentro da grande densidade de informações, com uma simbiose assombrosa.

“Faithless By Default” alterna segmentos pesados e brutais com momentos depressivos, limpos e arrastados, bem como o Opeth faz. O teclado belíssimo do Brändström nos envolve e nos oferece uma noção tão forte de melodia que faz parecer que acabamos de ouvir uma música cantada e não gritada. O que falta de melodias nos vocais de Stanne, os teclados fazem questão de compensar. “Our Proof of Life” traz uma introdução sensacional com uma progressão harmônica bem elaborada. Aliás, essa progressão volta no refrão, com o teclado de novo aparecendo com destaque. Stanne tenta vocais limpos nesta, ainda que seu forte sejam os berros.

A música do Dark Tranquillity é densa, obscura, pesada e sombria. Eles conseguem como poucos musicalizar o caos, envolvendo esse caos sonoro com melodias e harmonias marcantes. A sofisticação com que tratam isso eleva a música à um nível altíssimo e é um dos fatores mais convincentes acerca da qualidade do trabalho dos músicos. O caos é tão bonito e tão bem apresentado que nos dá uma interpretação diferente do que comumente seria entendido como caos.

O trabalho de Niklas Sundin (guitarra), Anders Jivap (bateria), Martin Brändström (teclado) merece destaque não só pelas execuções dos instrumentos, mas também pelas composições das faixas que ouvimos em Atoma. Tudo foi composto com muita precisão por mentes criativas e dispostas a dar o melhor em favor da música.

Mesmo quando usam pedal point nos riffs, acentos de bateria ou vocais limpos e partes acústicas – elementos que pegam emprestados de outras bandas, inclusive bandas de metalcore –, eles o fazem com qualidade, aplicando tudo isso muito bem ao estilo deles e soando particulares da mesma forma. É tudo muito bem pensado e muito bem arquitetado.

A brutalidade e o aproximação do black metal contrastam com a beleza e um toque mais preciso nas escolhas de melodias e harmonias. Esse contraste permite que o som do DT seja incisivo, marcante e fale por si só quanto à competência da banda. Eles não são como qualquer banda pesada e brutal, também não são como qualquer banda com melodias e harmonias bem feitas. Logo eles soam como uma das melhores bandas suecas de metal moderno, que merece ser ouvida com atenção a cada lançamento.

O tempo só provou que o Dark Tranquility ficou melhor.

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1 comentário em “Dark Tranquility – Atoma (2016)

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