Gone Is Gone – Echolocation (2017)

Entre riffs poderosos e atmosferas cósmicas, quarteto amplia espectro sonoro

Por Lucas Scaliza

A estreia do supergrupo Gone Is Gone com o EP homônimo foi um dos acontecimentos mais interessantes da música em 2016. Integrantes de quatro bandas diferentes – Troy Van Leewen (guitarra/Queens of the Stone Age), Troy Sanders (baixo e vocal/Mastodon), Tony Hajjar (bateria/At The Drive-In) e Mike Zarin (teclados e outros/Sencit Music e Sweethead) – se uniram para mostrar um projeto bem diferente do que cada um está acostumado a fazer em suas respectivas bandas e não economizaram em riffs poderosos e pegada.

Echolocation, primeiro disco completo do grupo, mantém a mesma proposta, mas toma uma rota ligeiramente diferente. No geral, as músicas são mais lentas que em Gone Is Gone e mais sérias, mais sisudas. A abertura com “Sentient” é totalmente cósmica, bem diferente da pegada mais pé no chão de músicas mais empolgantes como “Pawns” e “Gift”, duas das composições com os melhores riffs do disco.

gone_is_gone_2

Ainda assim, quando Van Leewen aparece é impossível não notar sua presença ou lembrar de suas características estranhas nas seis cordas do QOTSA em músicas como “Resurge”, “Ornament” e o solo de “Slow Awakening”, que flerta com o industrial. Sanders mostra diversas facetas como vocalista, desde drives pesadíssimos até sussurros misteriosos e profundos, sem falar em uma voz limpa empostada e que casa perfeitamente com o lado mais etéreo da banda. Tirando uma linha muito marcante em “Colourfade”, o baixo de Sanders tem presença menos proeminente, mas não menos sentida.

Enquanto algumas faixas soam mais secas e diretas (“Fast Awakening”), outras apostam em laivos de experimentalismo (como “Dublin”) e em nuances cósmicas (como “Roads”), dando um grande espaço para o multi-instrumentista Zarin mostrar como é capaz de impor seu estilo para a composição toda e ainda fazer uma boa parceria com Van Leewen na hora de pesar a mão nas esquisitices.

O maior trunfo do Gone Is Gone é ter nascido como uma banda madura e com estilo próprio que pode até lembrar alguma coisa das bandas de que é composto, mas nunca puxa a sonoridade para alguma delas. Com uma sonoridade característica que parece consolidada desde o EP de estreia, podem se dar ao luxo de brincar com novas possibilidades no disco. “Resolve” é a versão deles de uma balada acústica. Mas ao som de cordas limpas junta-se timbres eletrônicos e pesados de sintetizador e baixo. E a progressiva “Echolocation”, talvez uma das mais ágeis do disco graças aos riffs nas teclas de Zarin, ainda conserva algo de sisudo, e vai se desenvolvendo se aproximando cada vez mais do metal alemão, desembocando num ótimo solo de Zarin, enquanto toda a faixa fica mais pesada e nervosa.

Echolocation consegue com louvor mostrar que Gone Is Gone tem personalidade de sobra e, dentro do que se propuseram a fazer, podem enveredar para tantos outros caminhos. Porém, fica a impressão de que Gone Is Gone, o EP, era mais interessante e mais divertido. Sem a pretensão de cobrir uma vasta gama de sonoridades, era compacto e instigante do começo ao fim. Mas continua sendo exemplo de um quarteto que sabe o que faz, seja confiando em riffs moídos de guitarra ou em atmosferas que colocam o ouvinte na órbita da Terra.

gone_is_gone_2017

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s