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Marcelo Yuka – Canções Para Depois do Ódio (2017)

Yuka resiste, seus putos!

por brunochair

O que há para depois do ódio? O que há para além deste consumismo exacerbado, dessa sensação de não pertencimento, de procurar ser aquilo que não somos, de eleger políticos que nos atingem com seu discurso repleto do próprio ódio e medo? O que há para além do ódio, que não seja o amor (puro e simples) perpassando a nossa própria condição de “indivíduo”, “ser pensante”, muito além da concepção de um sentimento baseado em troca? O que será esse amor? E por que tanto ódio? Marcelo Yuka está em busca desta resposta há algum tempo. Ex-baterista d’O Rappa, Yuka foi responsável pelo grande “boom” da banda na segunda metade da década de 90. Vítima do próprio ódio, teve que lidar com uma nova forma de existir, e a partir disso um sem-número de reflexões sobre o existir nesse coletivo que dá tanta importância a ser alguém – melhor que os outros.

Segundo Yuka, para além do ódio há o amor – desinteressado, sem qualquer tipo de construção ou troca. Para além do ódio, segundo entrevista, há também um lugar no qual possamos descansar. O lugar, no caso, é o seu primeiro disco solo, pós O Rappa e pós F.U.R.T.O. Um refresco, uma forma de escapismo, um espaço na mente em que fascistas, moralistas e vitimistas não possam entrar. Que o bombardeio seja em prol de boas energias, reflexão sobre a vida, ou puramente música de qualidade. Música boa, ótimas letras, referências e artistas diversos.

Em Canções Para Depois do Ódio, temos Marcelo Yuka do passado e do presente, no que diz respeito às referências musicais: o dub está sempre presente, mas as presenças de música eletrônica e elementos percussivos africanos elevaram-se consideravelmente. É a mescla de Manu Chao a Antibalas, de Rappa a Bixiga 70 e Abayomy. É um pacto entre o que o motivou esteticamente (compondo) na década de 90 e o que está em seu radar musical nos últimos tempos. Dá não só um samba bom, mas sim toda uma fusão de ritmos interessante, bastante envolvente. Para dividir composições, sentimentos e vozes, Yuka convidou artistas como Céu, Seu Jorge, Cibelle, Bussaka Kabengele, Barbara Mendes, Fellipe Mesquita, Vick Lucato e outros. A canção “O Dia Em Que o Homem Se Cansa” traça um panorama do que é o disco (16 músicas e 66 min de duração). Os artistas intercalam nos vocais, com algumas aparições do próprio Yuka no decorrer de algumas músicas e uma aproximação do afrobeat.

Por fim, resta dizer que o disco do Yuka – além de proporcionar amor e descanso para além do ódio, Trumps e Bolsonaros do cotidiano – oferece, a partir de sua música, um ato de resistência e perseverança. Yuka não vai se entregar, seus putos. E não quer que nos entreguemos, também. Essa é, na essência, a grande mensagem do disco.

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