2017 Folk punk Resenhas Rock

Dropkick Murphys – 11 Short Stories Of Pain & Glory (2017)

Se quer saber como funciona essa mistura inusitada de música celta e punk, este é um ótimo disco para começar

Por Lucas Scaliza

Até onde vai a criatividade humana na hora de misturar estilos? Eu não me refiro a estilos que apresentam semelhanças e características comuns, como blues e rock, mas estilos completamente diferentes, que são misturados com a intenção de gerar algo novo, esquisito na maioria das vezes, e que seja marcante pela distinção que propõe. Algo novo hoje na música é louvável, visto que vemos uma tendência comum de muitos artistas em copiar o que já foi feito de forma descarada, sem preocupação com conceitos como originalidade e expressão da personalidade.

Os caras do Dropkick Murphys merecem crédito por ousarem apresentar algo novo. O som dos americanos junta punk rock e música celta/folk europeia em um mesmo laboratório musical, experimentando livremente. O resultado? Álbuns extremamente consistentes como Warrior’s Code (2005) e Signed and Sealed in Blood (2013).

A produção do novo álbum, intitulado 11 Short Stories of Pain & Glory, foi assinada por Ted Hutt, mesmo produtor dos dois últimos trabalhos da banda e que sabe bem como coordenar os músicos e conseguir um bom resultado no estúdio. A banda, com seis pessoas, que tocam diversos instrumentos – de guitarra à Mellotron –, soa superentrosada e mesmo com a densidade de informações, as faixas soam bem definidas e concisas. Podemos sim compreender os arranjos e os elementos centrais de cada faixa, bem como a identidade de cada uma sem muito esforço.

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“The Lonesome Boatman” deixa claro que se trata de uma banda americana que soa como uma europeia. Enfatizam a veia folk/celta, sem mostrar quase nada da agressividade punk. Mas a beleza do disco se encontra no fato de possuir canções que mesclam os gêneros e ambos sendo tocados com maestria. Isso mostra que os seis músicos sabem tocar muito bem tanto o celta como o punk e dominam ambas as linguagens. “Rebels With a Cause” é agressiva, direta como um bom punk, mas possui coros e ganchos bem europeus. A melhor faixa do álbum é “Sandlot”, uma canção estruturalmente punk, com um coro forte e inesquecível. A progressão de acordes simples trabalha inclusive em favor da memorização do refrão, por ser linear e simples. “Paying My Way” segue a ideia de ser simples, com um solo instrumental melódico, coros e um andamento mais lento.

O álbum foi motivado pelo trabalho da banda em uma instituição de caridade que ajuda crianças e viciados em drogas. As letras seguem essa veia mais socialmente relevante. “Rebels With a Cause” fala sobre crianças que foram esquecidas e deixadas de lado pelo sistema. “Paying My Way” versa sobre o caminho para se livrar das drogas e o sonho de alcançar coisas melhores na vida. “4-5-13” é uma homenagem às vítimas do Atentado à Maratona de Boston, em 2013. O vocalista e baixista Ken Casey afirmou que a música “You’ll Never Walk Alone” – um cover de musical de 1945 que a banda regravou – veio a ele na saída de um velório, um momento de tristeza e a letra lhe deu conforto. Baseado nisso e no tom positivo de todo o álbum, ele decidiu colocá-la.

Além de misturar estilos de forma criativa, como vem fazendo há anos, o Dropkick Murphys decidiu também fazer um álbum motivacional, alto-astral e que trouxesse uma mensagem nobre para estimular os ouvintes. O grupo sabe combinar bem os instrumentais com as letras, transmitindo emergência necessária e força expressiva.

No começo da carreira, com o álbum Do Or Die (1998), eles focavam mais no punk rock. No entanto, com o passar dos anos, as referências do grupo se expandiram para algo mais complexo e original. Hoje eles continuam inventivos, cada vez mais consistentes e seguros do que fazem, entregando discos maravilhosos, como esse. Se quer saber como funciona essa mistura inusitada de música punk americana e celta europeia, este é um ótimo disco para começar.

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1 comentário em “Dropkick Murphys – 11 Short Stories Of Pain & Glory (2017)

  1. Pingback: Woods – Love is Love (2017) | Escuta Essa!

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