The XX – I See You (2017)

Novo disco mostra a banda dialogando com o passado enquanto olha para frente

Por Gabriel Sacramento

Depois que Jamie Smith, um dos membros do The XX, decidiu lançar um álbum solo – In Colour (2015) – no qual se permitiu experimentar com a música eletrônica e fugir um pouco do dream pop indie melancólico e etéreo da sua banda, o som do trio parece ter mudado de rumo. Esse novo direcionamento está em I See You.

E quando lançaram “On Hold”, percebemos a pegada mais pop dançante. O sample da faixa é da sacolejante “I Can’t Go for That (No Can Do)” da dupla Daryl Hall e John Oates, pop famoso lá dos anos 80. Mesmo com as batidas mais fortes, a canção trabalha bem a dinâmica com momentos calmos e econômicos que nos remetem à fase inicial da banda. A ideia de utilizar batidas diferentes para gerar climas diferentes, que esteve presente no disco de Jamie, está em I See You também. “Say Something Loving” foi lançada mais tarde. A faixa traz aqueles típicos duetos entre a guitarrista Romy Madley Croft e o baixista Oliver Sim e uma melodia belíssima sobre uma base onírica.

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“Dangerous” anuncia uma base mais focada no ritmo, diferente das músicas antigas, que eram densas e climáticas. “Lips” apresenta um mix bem definido entre uma sonoridade mais atmosférica e algo mais dançante. A balada “Performance” traz a melodia mais inspirada do álbum, com um quê melancólico impressionante e tocante. A vocalista Romy – que canta esta sozinha – interpreta com uma maestria e sinceridade tão grandes que é como se estivesse prestes a chorar enquanto canta. Podemos ouvir claramente as bases e toda a estrutura de “Replica” serem trabalhadas para explorar esse conceito mais pop e radiofônico. As batidas mais rítmicas voltam pulsantes em “I Dare You” e “Test Me” fecha o álbum com um ótimo interlúdio de música ambiente.

Como podemos perceber, o trio inglês conseguiu chegar a um estágio superior com sua música, sem negar suas influências básicas. Sem abrir mão da identidade que marca a banda desde o seu início e que chama a atenção para sua sonoridade, eles chegaram a um bom resultado.

Como disse antes, a influência de In Colour de Jamie Smith é inegável, afinal, ele idealiza as bases do The XX. Sua ideia de musicalidade expansiva e experimental além dos limites se aplica ao trio, mas respeitando as ideias e vontades dos outros dois membros também. Com isso, temos o melhor álbum do grupo, que transmite a liberdade criativa em paralelo com a vontade de soar mais amigável.

Este ano, a banda irá tocar no Lollapalooza Brasil. Uma ótima oportunidade para mostrar o som do grupo para os brasileiros que ainda não tiveram contato com os ingleses. Com canções de I See You no setlist, essa experiência de audição se torna mais fácil. A boa dose do disco pode não ser repetida em outros, a banda pode seguir por um caminho mais pop ou pelo resgate do som anterior, mas I See You deve ser lembrado por esse mix interessante e feito com muita competência.

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