2016 Metal Resenhas Rock

Giraffe Tongue Orchestra – Broken Lines (2016)

Supergrupo se equilibra entre diversão e qualidade técnica de sobra

Por Lucas Scaliza

Formado por integrantes de diferentes bandas de rock e metal, o supergrupo Giraffe Tongue Orchestra seguiu um caminho bastante diferente de outro supergrupo formado em 2016, o Gone Is Gone. Enquanto o Gone Is Gone deixou seu som sisudo e arrastado, forte mas lento e atmosférico, o GTO se apresenta animado e ágil, menos experimental e mais dedicado a uma veia roqueira direta.

Encabeçada pelos guitarristas Ben Weiman (The Dillinger Escape Plan) e Brent Hinds (Mastodon), o GTO é divertida e descomplicada desde o título que escolheram para o projeto. Completam o time o vocalista William Duvall (Alice In Chains), o baixista Pete Griffin (Dethklok) e o baterista Thomas Pridgen (The Mars Volta). E claro que com um time desse você pode esperar não apenas música rock’n’roll da boa, mas também um rock bem feito, como fica claro bem rápido em Broken Lines.

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A faixa de abertura, “Adapt Or Die”, é o abre-alas com cara de single. Já a segunda, “Crucifixion”, mostra a habilidade de todos os instrumentistas em fraseados tão diretos quanto complicados, além das qualidades vocais de Duvall, que vão desde cantar com voz limpa, drive ou com uma agressividade típica das bandas do hair metal dos anos 80.

Broken Lines é um compilado consistente de rock feroz, divertido e com alto nível técnico, misturando hard rock, metal alternativo e alguns laivos de progressivo (tudo isso pode ser ouvido em “No-One Is Innocent” e “Thieves And Whores”). “Blood Moon” poderia ser dançante, mas é quase uma balada com guitarras distorcidas. “All We Have Is Now”, com seu belo dedilhado e banda bem mais comedida, fica com o posto de balada do álbum. E “Everybody Gets Everything They Really Want” fica com o posto de faixa dançante, fazendo um belo casamento entre ritmo disco, groove e guitarras de rock.

“Fragments & Ashes” e “Back To The Light Of The Day” são uma dobradinha interessante, mostrando as guitarras de Hinds e Weiman às vezes colidir e às vezes se somar, sem falar em linhas de baixo bem marcantes de Griffin e a bateria nervosa e cheia de viradas seguras por parte de Pridgen. Apesar da liderança do grupo estar concentrada nas seis cordas, todos os instrumentistas são ressaltadas a todo momento. “Broken Lines”, por exemplo, é uma dessas faixas que apresenta em 5 minutos uma quantidade de ideias que 90% das outras bandas do planeta não apresentariam em 10.

O grupo quase não aconteceu, mas Weiman e Hinds persistiram e fizeram o quarteto instrumental se encontrar em um som totalmente novo. Duvall foi escalado somente depois que as músicas já estavam prontas, mas ele se enfia nas composições com tanta presença que não há como pensar em outro vocalista para o posto.

Broken Lines não quebra nenhuma convenção da música e nem reinventa a roda, mas se esforça para não ser repetição de nada que seus gabaritados membros tenham feito em suas bandas principais. Junto de Gone Is Gone, Crystal Fairy e Liv, fica a certeza de que Giraffe Tongue Orchestra é mais um motivo para 2016 ter sido um ótimo ano para as superbandas.

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