2017 MPB Nacional Pop Resenhas samba

Mart’nália – +Misturado (2017)

Leve e íntimo como sempre, Mart’nália aposta na mistura de ritmos e estilos

por brunochair

A cada álbum, a cada música que ouço da Mart’nália, parece que a conheço há tempos. Que sou íntimo dela. Que, aos sábados, participamos de um churrasquinho, tomamos cerveja e trocamos altos papos. É essa danada habilidade que ela tem para interpretar canções da música popular brasileira de uma forma totalmente despojada e sutil, que traz essa camada de intimismo, tão dificilmente encontrada entre os artistas brasileiros. Enquanto há os que na arte se retraem, Mart’nália faz a música agregar, fazer sentido. E é por isso que se faz tão presente, tão próxima.

Neste décimo primeiro disco da carreira, Mart’nália demonstra que não perdeu a mão dessa proximidade intuitiva para com o ouvinte. O que muda um pouco é que a sonoridade está “+misturada” mesmo, seguindo o que o próprio nome do álbum já nos diz. Não, Mart’nália não é só uma intérprete/compositora do samba: quem acompanha a sua carreira e seus discos anteriores sabe que ela passeia por outros ritmos black/brasileiros com muita desenvoltura, e é o que acontece aqui.

Percebe-se isso, por exemplo, em “Se Você Disser Adeus”, composição de Geraldo Azevedo e interpretada pelos dois. A música tem um forte acento regionalista, sem perder em nenhum momento a sutilidade e a leveza. E o que dizer de “Melhor pra você”, música feita por Tonton (filho de Moska)? Uma canção de extremo bom gosto, no melhor estilo balada blues, que me fez lembrar Baladas no Asfalto & Outros Blues, do Zeca Baleiro. Talvez a música inédita mais bacana deste disco, com alto poder radiofônico.

Mart’nália mistura canções inéditas e versões de músicas já consagradas, como é o caso de “Estrela” (Gilberto Gil), “Tempo de Estio” (Caetano Veloso) e “Linha do Equador” (Djavan). Mas, alto lá quem acha que não tem samba no disco: o nome do disco é +Misturado, poxa! “Ouvi Dizer”, partido alto de Teresa Cristina, empolga; e “Ninguém Conhece Ninguém” (Trio ABC) abre o disco, com Mart’nália cantando com o seu pai, padrinho musical e rei da casa Martinho da Vila, que já regravou esta música na década de 70.

+Misturado, que teve músicas produzidas por seis músicos distintos, é o disco que Mart’nália se sente mais à vontade para interpretar – e não só no samba. E quanto mais à vontade se sente, mais parece que Mart’nália está dialogando com nós, ouvintes. E aí, vocês já sabem: o clima intimista com ela é regado a uma boa conversa de bar, e claro… uma gelada bem gelada.

Anúncios

0 comentário em “Mart’nália – +Misturado (2017)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: