2017 Metal Resenhas Rock

W4 – Estado de Guerra (2017)

Banda paulista se expressa muito bem com sinceridade e agressividade

Por Gabriel Sacramento

Não, o rock não morreu. Seja no Brasil ou fora dele, o estilo ainda pulsa e inspira pessoas a usar a atitude agressiva para dar vazão a críticas e manifestações por meio da música. Por exemplo, em 2008, um grupo de amigos formou o W4 com o desejo de reverberar suas opiniões e gritá-las usando um tipo de som pesado e agressivo. O grupo lançou um EP em 2012, chamado Os Segredos do Coração, e finalmente chegaram ao segundo EP, intitulado Estado de Guerra.

O título é forte. A descrição também. Os três músicos buscaram refletir sobre as batalhas do cotidiano, as guerras internas e os obstáculos que cada um tem de enfrentar.

w4_2017

Ao dar o play, percebemos uma grande diferença com relação ao EP anterior do grupo. Uma produção mais esmerada permitiu que cada um explorasse mais de si para entregar algo mais ousado. “Taciturno” abre o álbum. Um tema quase cinematográfico que nos prepara para a porradaria que vem a seguir. Sem deixar cair a empolgação, um riff arrastado, que lembra algo do Dark Tranquillity, dá início à “Ordos”. A idéia da faixa é evocar a imagem de uma cidade em ruínas e a letra dá suporte à isso, transmitindo a desesperança e confusão desse tipo de cenário. O forte da faixa é o refrão, com um vocal forte e rasgado ,que desemboca no ótimo riff principal, fazendo uma conexão muito boa entre as diferentes seções da música. “Tempo de Acreditar” traz uma mensagem motivacional do tipo “acredite em si mesmo”. O refrão remete aos refrãos do Disturbed. “Engravatados” possui um ótimo riff inicial e traz uma crítica pungente às guerras e aos governantes que não se importam com seus governados. As orquestrações executando o riff em harmonia com a guitarra distorcida lembram um pouco o Symphony X. O ponto forte da faixa é a parte falada/gritada em que o vocalista externa com competência toda a fúria e agressividade que a intenção da letra pede.

“Acabou” já tinha aparecido no EP anterior, mas foi regravada com uma nova roupagem. Fala sobre desilusões amorosas e a necessidade de deixar para lá o que passou. A faixa tem um acento punk fantástico que acabou sendo mais bem enfatizado na primeira gravação. Não é um ponto fraco, mas poderia ser melhor se fosse um pouco mais enxuta e mais calcada na guitarra, reforçando a crueza punk. “Vida” é o mais próximo de balada que temos aqui, com um início mais calmo e um final arrastado, pesado e doloroso.

Com ótimas referências, um som difícil de rotular e uma mensagem forte e expressiva, o trio paulista consegue dar um passo à frente na carreira. Estado de Guerra impressiona pela atitude agressiva, junto com as ótimas conexões entre música e letra. O conceito está fica muito claro, seja pelas referências no conteúdo lírico ou pelas escolhas musicais. Mesmo com alguns detalhes técnicos que necessitariam de mais cuidado, o grupo conseguiu se sair bem diante das limitações.

Em um contexto musical em que é mais fácil – e comercialmente conveniente – cantar letras fofas e agradáveis (vemos até bandas de rock fazendo isso), o W4 se destaca pela sinceridade. A mensagem do trio é parte deles, das suas intenções, das dificuldades do cotidiano e de suas próprias guerras internas. Encontra o ouvinte chocando-o e intrigando-o. Ainda há o que melhorar para o futuro, mas as bases estão lançadas.

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1 comentário em “W4 – Estado de Guerra (2017)

  1. Que resenha! Muito obrigado pelo apoio e pela critica, pessoal. Um grande abraço

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