2017 Indie punk Resenhas Rock

Cloud Nothings – Life Without Sound (2017)

Mais leve.

por brunochair

Feel right feel right feel right / Feel lighter. Este trecho de “Things Are Right With You”, segunda música do novo disco do Cloud Nothings chamado Life Without Sound, dá uma percepção de uma certa leveza que a banda capitaneada por Dylan Baldi conseguiu agora desenvolver. Como método de comparação, tente ouvir o ótimo Here and Nowhere Else (2014), o quarto e penúltimo disco da banda, e este. O anterior, muito calcado em guitarras virulentas, caóticas e viscerais, observa o seu sucessor atravessar uma certa calmaria. Estranho, talvez?

O primeiro “choque” que os ouvintes de Cloud Nothings levam é na intro de “Up to the Surface”: um arranjo (ainda que rápido) de teclados abre a música. Segue uma condução mais para o gótico durante a parte cantada, e somente depois ganha um andamento próximo do punk/hardcore, o que faz a música crescer. Mas, ainda assim, bem mais light no que se refere a barulho, a vocal rasgado de Dylan, do que no álbum anterior. É como se em Life Without Sound o grupo deixasse ainda mais em evidência o lírico que há neles, privilegiando em detrimento de toda aquela raiva contida.

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E nessa balança de mais lírico/ menos peso faz a banda soar até mais próxima do emocore que nos álbuns anteriores, consequentemente mais próxima dos anos 2000 do que nos anos 90. As letras contribuem para essa atmosfera. E essa caminhada da banda é natural, não parece querer atender qualquer tipo de intenção do mainstream. Trata-se apenas de experimentar outro tipo de estética musical para o grupo, permanecendo já o que é característica da banda – conquistada através destes cinco discos lançados.

Contrariando essa certa leveza e até “doçura” das canções do novo disco, temos “Darkened Rings”, “Strange Year” e “Realize My Fate”. São músicas que refletem o passado do Cloud Nothings. A última canção citada não caberia nem em Here and Nowhere Elsemas sim em Attack On Memory, disco de 2012. Mas a leveza está presente (por exemplo) no solo de Dylan Baldi em “Enter Entirely”, lá pelos dois minutos e vinte e cinco de música. A sua guitarra flutua no andamento da canção, algo que nunca tinha ouvido do Cloud Nothings. A ótima “Modern Act” e as boas “Internal World” e “Sight Unseen” completam o cenário do disco.

Mais leve, mas sem perder a característica lírica e a força das interessantes composições de Dylan Baldi: é assim que o quinto disco do Cloud Nothings pode ser definido. Pode até causar uma estranheza de início nos ouvintes, esperando aquela raiva ser exposta em acordes, mas essa certa leveza também diz muito.

E agrada.

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1 comentário em “Cloud Nothings – Life Without Sound (2017)

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