2017 Folk Pop Resenhas Rock

The Shins – Heartworms (2017)

Equilibrando pop, rock indie e uma pitadinha de folk, James Mercer não erra a mão

Por Lucas Scaliza

É o seguinte: se você já gostava do The Shins e estava com saudade deles (já que faz mais de 10 anos que começaram a lançar discos novos em intervalos mais longos), Heartworms é para você. Pode ouvir de coração aberto, violão na mão e vontade de pedalar pra longe da solidão e da melancolia.

Assim como Port Of Morrow (2012), assim como Wicing The Night Away (2007) e, oras, como Oh, Inverted World (2001), o novo trabalho desses americanos do Novo México é repleto de canções pop com um feeling de rock alternativo que te faz pensar que, se fosse ao contrário (canções de rock, com feeling pop) seriam como o R.E.M.

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A guitarra e o belo violão que fazem as levadas da música continuam dividindo espaço com os tecladões e sintetizadores de James Mercer, que ganharam muito mais espaço desde o disco anterior. Assim, todas as faixas, desde as mais pops (“Name For You”, “Cherry Hearts”) até as mais roqueirinhas (“Painting a Hole”, “Half a Million”), mantém uma textura bastante macia e rica, muitas vezes lembrando sons que você ouviu nos ou dos anos 80, cujo ápice talvez seja “So Now What”, uma música bastante bonita, que parece um elo entre a fase clássica do A-ha e a nova fase do Mew. Essa faixa, com a instrumentação mais cheia do disco, foi produzida por Richard Swift, ex-membro do The Shins e atual baixista de turnê do The Black Keys e membro do ótimo The Arcs.

O lado mais indie e alternativo do The Shins continua fazendo a ponte entre suas ambições mais comerciais e seu lado mais introspectivo, lembrando de longe aqueles ótimos momentos que o Belle And Sebastian coleciona ao longo da carreira, notavelmente em canções como “Fantasy Island” e “Mildenhall”. E sim, a presença do violão e do jeitinho especial de tocar de Mercer continua fazendo diferença e às vezes puxa as composições mais para o folk, como é o caso das ótimas “Dead Alive”, “Heartworms” e “Fear”, que fecha o álbum com muita consistência e qualidade, com um ótimo trabalho de cordas e de percussão.

É clara a impressão de que Port of Morrow era um tanto mais indie e alternativo que Heartworms, mas como o equilíbrio é algo que o The Shins vem mantendo desde o início deste século, faz sentido tentarem algo mais pop dessa vez para equilibrar a discografia como um todo.

Faz uma década pelo menos que James Mercer é tudo no The Shins: único membro fundador ainda remanescente, dono da marca, multi-instrumentista e também produtor de Heartworms. Sua voz ainda chama a atenção, mesmo após todos esses anos, por ter uma leveza muito característica e uma forma de se expressar muito natural. Em momento algum, assim como nos discos anteriores, o pop da banda soa ansioso. Você curte, ou não, e é isso. Sem complicação.

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1 comentário em “The Shins – Heartworms (2017)

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