2017 Rap/Hip-Hop Resenhas

Rick Ross – Rather You Than Me (2017)

Esse álbum não fará de Rick  Motherf***ing Ross uma lenda

Por Gabriel Sacramento

Da capa do álbum, onde ele aparece com uma coroa a lá Notorious Big, às letras e atitude de “Big Boss”, Rick Ross não esconde a grandiosa pretensão que tem e o desejo de se tornar uma lenda bilionária dentro do cenário do hip hop americano. Status alcançado por gente que já está na estrada faz um tempo, como o Snoop Dogg, e que parece ser o ideal para essa nova geração de rappers novos. Dinheiro para ele não é problema, resta alcançar o outro título, o de lenda. E ainda falta muito chão.

Anos depois do surgimento, o cara conseguiu um status de chefão do hip hop, com quatro indicações para Grammys, milhões de audições nos serviços de streaming e uma base forte e fiel de fãs. Fãs que aguardaram ansiosamente desde Black Market (2015), o último lançamento do cara. Basicamente, o disco anterior possui uma regularidade incrível em se tratando de hip hop, seguindo as regras do gênero e com uma infinidade de participações que não cooperaram para tirar o artista da bolha criativa que o restringiu e o limitou ao padrão.

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Ouvindo este Rather You Than Me, não percebemos nenhuma vontade de mudar. Ele se esforça para trazer as mesmíssimas batidas, seu típico flow e muitíssimas participações como sempre. A diferença é que em Rather You Than Me, essas participações exercem um peso maior do que em Black Market. Seja Raphael Saadiq cantando boa parte de “Apple of My Eye”, com seu ótimo e aveludado timbre, dando um toque R&B preciso à faixa, ou Chris Rock no início de “Powers That Be”, usando seu sotaque de negro inglês pra dizer: “O senhor é minha testemunha, não há um MC como Rick Motherf***ing Ross… Quando um mano diz ‘o senhor é minha testemunha’, ele diz a verdade!”. Assim, vemos que o time de apoio dessa vez cooperou um pouco mais para tornar este álbum mais memorável que o anterior. Aliás, no caso de Chris Rock, ele só precisa de alguns segundos para nos arrancar boas risadas, seja pelo seu sotaque ou pelo seu jeito de falar.

O rapper Nas, que colaborou na melhor faixa de Black Market, aparece de novo na já citada “Powers That Be”, contrapondo-se bem ao timbre de voz e ao flow de Ross. “Trap Trap Trap” é uma das mais legais, com Rick praticamente cuspindo as palavras e versos marcantes. Traz Young Thug e Wale como participações. “Dead Presidents”, outra das mais interessantes, possui participação dos rappers Future, Jeezy e Yo Gotti. É quase uma jam de hip hop, em que vários músicos sobem ao palco para contribuir com uma parte. “Game Based on Sympathy” traz um frescor de música analógica ao álbum, com alguns instrumentos que parecem ter sido tocados na mão mesmo.

Quando se referia ao álbum, Ross diz que não seria mais um projeto, mas sim “um produto de perseverança e determinação”. Porém, minha conclusão é que se trata sim de mais um projeto, mais um disco para prateleira, cheio de pretensão, mas que esbarra na limitante falta de ousadia. O rapper, que já está na música há mais de dez anos, continua seguindo bem as regras, mesmo que transmita uma imagem de transgressor. A válvula de escape da mesmice acaba sendo as participações especiais, que são interessantes e bem colocadas.

Álbuns como Rather You Than Me não são suficientes para tornar Ross uma estrela absoluta do hip hop americano. Principalmente porque tem muita gente concorrendo. Uma coisa é certa: o rapper pode não ser uma lenda, mas tem feito o seu nome com seus lançamentos. Só que, carecendo de ousadia e imaginação, apenas mantêm o seu nome exatamente onde está.

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1 comentário em “Rick Ross – Rather You Than Me (2017)

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