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Real Estate – In Mind (2017)

Se não é o álbum mais inovador do Real Estate, certamente é o mais regular

por brunochair

A primeira vez de tudo a gente não esquece, não é mesmo? Pois é. A primeira resenha que escrevi para este blog foi para Atlas, do Real Estate. Um disco que havia chamado a minha atenção por apresentar um conceito, uma estética musical que seguia por todas as faixas com uma regularidade absurda. Atlas é bem produzido, tem ótimas canções e ali eu defendia ser o ápice da produção deles, ficando bem curioso para saber o que viria depois. E cá estamos, quase três anos após, com o sucessor de Atlas: In Mind.

Resumindo a ópera, In Mind é tão bom quanto Atlas. Um disco extremamente regular, repleto de camadas sonoras e ótimas faixas. Continua a habilidade do grupo em apresentar uma atmosfera bastante tranquila e até viajante. Porém (e talvez seja a grande ressalva a ser feita) o salto que o Real State apresentou com Atlas foi gigantesco, alcançando um grau de excelência que In Mind não conseguiu atingir. Como já disse, é um disco tão bom quanto o anterior, possui ótimas canções, mas parece ser um Atlas pt.2. Não houve uma superação, digamos. Mas outra questão que fica disso tudo é: para onde o Real Estate poderia correr?

E aí temos uma questão complicada, pois notei em Atlas um perfeccionismo e um alcance da sonoridade tão absoluto que, realmente, seria difícil chegar a outro lugar a partir dali. Imitá-lo seria já difícil. Necessário? Talvez não. E o Real Estate não imitou, mas usou-o como inspiração, trampolim de si mesmo. Abordar de formas distintas, sem jamais perder de vista o já realizado e consagrado. E esse, na realidade, é In Mind.

real estate -in mind2

“Darling” foi o primeiro single lançado pela banda. Terminei a audição, gostei muito da música, mas ficou aquela sensação de ser uma música que ficou de fora do Atlas, utilizada agora. “Serve The Song” já trabalha outras possibilidades de fluência, e é o ponto forte do início do álbum – destacando o instrumental, que começa aos dois minutos e segue até o fim da canção. “After the Moon” é bem tranquila, e reforça a pitada de psicodelia que há em Real Estate (ainda que a seu modo).

“Two Arrows” parece fazer uma homenagem a “I Want You (She’s So Heavy)” do Beatles, que está em Abbey Road. As canções tomam um rumo instrumental do meio para o fim um tanto caótico – o que é considerado inusual, tanto nos Beatles quanto no Real Estate. Além do mais, as duas músicas terminam abruptamente. Não é de hoje que Beatles é uma inspiração para o Real Estate. Ok, Beatles é inspiração de milhões de bandas por aí, mas a psicodelia aliada a arranjos cuidadosos e belos é um dos grandes interesses do Real Estate. Por ser uma canção em que o grupo arrisca mais na execução, podemos cravar esta como das melhores canções do disco.

Há outros bons momentos, como o slide surrealista de “Time”, a ótima intro de “Holding Pattern” e a moderna “Diamond Eyes”, num misto de country e andamento de música eletrônica – tudo bem ao modo Real Estate de fazer. Portanto, In Mind não é um álbum tão inovador e impactante quanto Atlas, mas é outro disco bastante regular e competente do Real Estate, repleto de confortantes camadas sonoras. Não há música abaixo da média, e por conta disso também a importância de se dizer que é um disco bastante regular. E, se não é genial, é muito bom.

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