2017 Jazz Resenhas Rock

Barock Project – Detachment (2017)

Grupo italiano permanece criando ótimas canções de rock progressivo. Porém, a sonoridade está mais moderna do que nunca.

por brunochair

Conheci o Barock Project em 2015, através do disco Skyline. Na época, escrevi a resenha sobre o disco surpreso com a qualidade do trabalho como um todo, desde as influências tanto setentistas (Genesis, Emerson Lake and Palmer) quanto contemporâneas (Neal Morse, Flower Kings) que eles traziam do rock progressivo. A surpresa não vinha somente das influências: a inventividade dos instrumentistas do grupo também era um ponto a ser ressaltado, criando fraseados de piano e teclado, riffs e sessões rítmicas na guitarra e bateria muito convincentes para o estilo. O disco agradou tanto que terminou escolhido como dos melhores de 2015 pelo Escuta Essa Review.

Agora, temos o sucessor de Skyline, chamado Detachment. O que mudou, de lá pra cá? Na formação da banda, duas alterações: na época da gravação do álbum anterior, a banda estava sem baixista definido. Francesco Caliendo veio a integrar o grupo em Novembro de 2015, tendo já participado da gravação do álbum ao vivo da banda, lançado em 2015. Luca Zabbini, pianista e tecladista, assumiu o protagonismo dos vocais a partir de agora. Além deles, os que já estavam em Skyline: Eric Ombelli (bateria) e Marco Mazzuocollo (guitarra).

Mas, e musicalmente? Sim, de certa forma o Barock Project também apresentou algumas alterações em sua abordagem musical. Continua o rock progressivo sendo parte importante da sonoridade do grupo, porém este disco está mais contemporâneo do que nunca. Trocando em miúdos, o Barock Project “modernizou” o seu rock progressivo. Tanto é que o grupo conta até com passagens em que há o uso de elementos eletrônicos.

Obviamente que as influências setentistas não são perdidas de vista, mas o diálogo é muito mais com bandas como Dream Theater, Transatlantic, Flower Kings, Spock’s Beard, Steven Wilson, Porcupine Tree e Haken. E assim como o Haken, há a contribuição do grupo com o estilo, propondo sim o diálogo, mas indo além: criando a sua marca, propondo a evolução do estilo. É como se o Barock Project não só tomasse as referências do rock progressivo contemporâneo, mas quisesse (a partir deste disco) ser UMA das referências do estilo. Não mais apenas conhecidos por serem influenciados, mas também influenciarem.

barock project - detachment2.jpg

Os pontos altos de Skyline continuam sendo muito bem aproveitados, e essa é uma característica importante do Barock Project: Marco Mazzuocollo promovendo bons riffs para além dos muros do rock progressivo, muitas vezes fazendo uso do hard rock para aumentar o poderio e o rimo das canções; Francesco Caliendo, em seu primeiro disco gravado com a banda, traz sua bagagem como instrumentista – soul, pop, jazz, música latina (e brasileira) são alguns dos estilos que ele conhece bem, e procura desenvolver em conjunto com o grupo; Eric Ombelli preenche a cozinha da banda sabendo precisar momentos em que acelera, cadencia e pode dar vazão a uma maior gama de alternâncias.

Em Skyline, Luca Zabbini já se destacava por sua virtuosidade no teclado/piano, lançando uma série de solos memoráveis. O seu trabalho em Detachment continua sendo incontestável, sendo ele um dos responsáveis por modernizar a banda, a partir de diversificados timbres. O seu trabalho como vocalista também é parte desse processo de dar um caráter mais contemporâneo e progressivo ao som da banda: não sei se anteriormente Luca não se sentia à vontade como vocalista, mas desenvolve um excelente trabalho. Peter Jones, convidado para dar voz às faixas “Broken” e “Alone” e participar em outros momentos, canta num estilo mais grave, entre Peter Gabriel e Roine Stolt, diferenciando-se de Luca.

Em suma, Detachment serve para consolidar o nome Barock Project como uma das bandas mais interessantes neste cenário do rock progressivo contemporâneo, dialogando com o que há de mais fresco no estilo e propondo novas possibilidades (música flamenca, hard rock, pitadas de jazz, música clássica) a partir das referências de cada instrumentista do grupo. Para entrar (de vez) no radar de quem aprecia o prog/rock e para quem aprecia música em geral, sem preocupar-se com estilos e rótulos, o novo álbum do Barock Project propõe uma excelente viagem sonora.

Permita-se.

Melhores músicas: “Happy to See You”, “Broken”, “Rescue Me”, “Old Ghosts”.

    Bandcamp

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