2017 Pop Resenhas

James Blunt – Afterlove (2017)

Blunt se limita a clichês em seu disco mais regular até agora

Por Gabriel Sacramento

Se você viveu no planeta terra entre 2005 e 2008, deve ter ouvido muito “You’re Beautiful” por aí. A canção de assinatura de James Blunt – um hino para seus admiradores e nada além de uma canção melosa para os que não são fãs – fez um sucesso absurdo na época e cooperou para que o primeiro álbum do cara, Back to Bedlam (2005), fosse direto para o topo da lista dos álbuns mais vendidos do século na Inglaterra (batendo inclusive o ótimo Back to Black da Amy Winehouse).

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Desde então, foi inevitável para o britânico o esforço para repetir o feito e mergulhar cada vez mais intensamente no pop. No entanto, sua carreira virou um poço de irregularidade, com momentos interessantes, nos quais ele demonstrava um tanto de originalidade e uma busca por algo fora do óbvio, alternando com outros em que encharcava sua música com elementos comuns demais. Percebemos, por exemplo, que aquela melancolia grudenta que Blunt explorava, um pouco antes da Adele fazer sucesso com a mesma estratégia, foi ficando cada vez mais ensolarada e dando lugar à um tipo de música romântica mais feliz.

Se Moon Landing (2013) já era bem pop e feliz, Afterlove é o ápice do pop fácil e cheio de clichês na carreira do cantor. A capa mostra um Blunt mais velho, talvez mais maduro, mas o som anuncia um artista se apegando às soluções prontas, se limitando muito e abrindo mão da ousadia. Nos dois primeiros álbuns ele não se restringia somente às baladas, nem ao pop descaradamente acessível, mas meio que implicitamente surgia com referências diferentes. Afterlove não tem nada disso. Tudo o que ouvimos é o mais puro pop/folk feito para as massas.

O cantor tem um timbre interessante, que se assemelha um pouco com o do Passenger. Se investisse mais no folk, talvez obtivesse resultados mais consistentes na carreira. O que temos neste novo trabalho são flertes com o estilo, que mostram que ele se aventura, mas sem se aventurar demais.

Também não temos baladas que podem ser comparadas à “You’re Beautiful” ou “Same Mistake”. Talvez o cantor nunca iguale o sucesso destes singles, mas mesmo assim, faltam músicas de impacto no tracktlist do álbum. E se existe um fator positivo nesse novo disco é a consistência. No período pré-Afterlove, a carreira foi irregular, mas o novo trabalho tem notável coesão entre as faixas, todas apontando para uma mesma direção.

Blunt foi um dos maiores hitmakers da década passada, sendo um dos caras mais bem sucedidos do século. Lidar com isso não é fácil. Demorou para que ele encontrasse um caminho mais definido para trilhar e quando encontrou, acabou sacrificando a criatividade, apostando em clichês e em fórmulas batidas. Afterlove representa um marco na carreira do cantor, mesmo que seja um álbum fraco de conteúdo. E ainda que seja um marco, não é suficiente para mudar o motivo pelo qual ele sempre será lembrado, que é pelos seus famigerados singles açucarados dos primeiros álbuns.

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3 comentários em “James Blunt – Afterlove (2017)

  1. Maravilhosas todas as canções dele.. perfeitas amo

  2. Eu acredito que atualmente não temos musica de qualidade como as que o James faz.Concordo em muitos pontos …mas tenho que ressaltar esse diferencial critico do cantor em suas letras…. sobre a vida e outros pontos abordados.Acho poético.

  3. Gostei muito do seu texto!Parabéns!Assim é possível conhecer um pouco mais sobre um artista ….alem das perguntas e textos óbvios que leio por ai.

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