2017 Eletronica Pop Resenhas

Nelly Furtado – The Ride (2017)

Parceria com John Congleton na produção ajuda a oxigenar repertório da canadense

Se você tem entre 23 e 30 anos, deve se lembrar do sucesso estrondoso que músicas como “I’m Like a Bird” e “Turn Off The Lights” fizeram na década passada. Foram presenças obrigatórias em qualquer programação de rádio e de TV. A canadense Nelly Furtado se infiltrava em nossas mentes com um timbre de voz muito peculiar e um pop leve e gostoso. Embora tenha mantido uma carreira exitosa, colecionando prêmios e lançando até músicas em espanhol (estratégia para chegar a novos mercados), passei mais de uma década sem ouvir um novo trabalho de impacto de Furtado. Seu retorno ao meu radar ocorreu ano passado, quando emprestou sua voz para a linda “Hadron Collider”, do Blood Orange. Foi com essa canção que senti saudade de seu vocal.

Mas The Ride não é Freetown Sound (2016). Não é um álbum engajado ou emocionalmente pesado. O que Nelly Furtado fez em “Hadron Collider” mostrava uma capacidade técnica que acabou escondida do resto de sua discografia. Apesar disso, seu novo disco te convida a embarcar de carona em uma jornada pop bem divertida e bem gostosa, embora pouco ambiciosa.

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Em parceria com John Congleton, um produtor apresentado à canadense por intermédio de St. Vincent, Furtado pôde conceber boas composições que se beneficiam de ótimas melodias (como em “Carnival Games” e no excelente refrão de “Flatline”) e produção que traz algo levemente alternativo. Chama a atenção que não tenham caído do ultrapop até mesmo em canções que parecem pedir uma produção mais encorpada, como é o caso de “Live” e “Palaces”.

Congleton não pesa a mão e soube encaixar seu estilo nas faixas de The Ride sem perder de foco o que há de mais característico em Nelly Furtado. “Paris Sun”, “Pipe Dreams” e “Right Road” são mais a cara de Congleton do que da cantora, o que ajuda a dar uma oxigenada no disco. E embora não alcance a mesma qualidade etérea que demonstrou na colaboração com Blood Orange, Furtado chegou muito perto disso em “Phoenix”, a primeira música que compôs para o disco e que serve de despedida em The Ride.

Fica a impressão de que esse “passeio” serve para nos lembrar como ela é flexível dentro do pop, se aproximando e se afastando da música eletrônica de acordo com o que cada faixa pede, elevando e diminuindo a quantidade de elementos mais alternativos de sua música para encontrar um equilíbrio para o álbum. Não é, contudo, um disco em que ela aposta suas fichas em algo totalmente novo. A parceria com Congleton dá uma estilizada em seu som, porém os frutos não caem tão longe assim da árvore que nutriu com seus cinco discos anteriores.

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1 comentário em “Nelly Furtado – The Ride (2017)

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