2017 Eletronica Indie Pop Resenhas

Silja Sol – Ni Liv (2017)

A língua norueguesa nunca soou tão fluida

Por Lucas Scaliza

Há uma enorme carência de material sobre a cantora Silja Sol em língua inglesa na internet. Em português então periga de esta resenha ser uma das únicas referências a ela que você vai encontrar. A norueguesa de 26 anos é uma ariana que canta na língua de seu país, o que parece limitar seu alcance à terra dos fjordes e países escandinavos, mesmo fazendo um som de bom gosto e bastante abrangente.

Ni Liv é totalmente dedicado ao eletropop direto mesmo quando tende mais ao indie. E apesar de ter várias faixas animadas e com potencial comercial, ela não fica se repetindo à exaustão. Com uma proposta bastante coesa, o álbum se mostra até que bastante exploratório, apostando tanto em produções mais alternativas (“Gymsko” e “Omveien”), baladas indie (“Ni Liv”), camadas mais sonhadoras (“Ta Fyr”, “Dyrene” e “Si Det”) e pop jovial e colorido (“Semmenemme”). Dá para perceber também que há uma mescla da produção esmerada e confiante do eletrônico nórdico – pensou em Robyn? Susanne Sundfør? Ou Röyksopp? Pois é! –, mas também algo da música pop francesa que se anuncia aqui e ali, na leveza com que desenvolve as melodias, na forma como se faz cativante mas evade os refrãos chicletes e as produções exageradas. “Eventyr” talvez seja a música mais linear do disco, mas é a que melhor ilustra essa influência francesa.

Silja_Sol_2017

Aliás, o norueguês cantado lembra bastante também o francês cantado. É diferente do sueco, do islandês e do finlandês, outras línguas escandinavas, que soam mais angulosas devido à ênfase nos sons das consoantes.  A boa e gentil voz de Sol também contribui para que seu lirismo seja fluido.

Em termos de gênero musical, Ni Liv abraçou a produção eletrônica e o dream pop. Ao longo de seus 28 minutinhos você sabe que tudo ali são programações eletrônicas, baixos sintéticos e muitos sintetizadores e teclados. E, é bom deixar claro, todos operados buscando timbres interessantes e texturas condizentes com o coração sonhador da obra imaginada por Silja Sol. É um álbum bem diferente de Væremeh (2016), que tem mais elementos orgânicos, embora já tivesse sua dose de eletrônica. Se no álbum de 2016 o lado alternativo era bem pronunciado, agora ela o adaptou para um contexto mais pop e mais bem acabado. É notável que há mais know-how envolvido em Ni Liv do que em seus dois álbuns pregressos.

Silja Sol começou a tocar violão aos 15 anos e aos 16 fez sua primeira letra em inglês. O instrumento serviu como forma de guiar suas composições e de dar um background harmônico à sua voz. O inglês ela abandonou para ficar com o norueguês e, assim, deixar clara sua identidade como artista. Embora música seja sua principal ocupação, ela divide seu tempo com aulas, com uma outra banda chamada Aurora e um trabalho no cinema de sua cidade natal, Bergen. Suas influências vão desde Eva Cassidy até Kendrick Lamar, passando por Amy Winehouse, Alicia Keys e Arcade Fire.

Vale a pena conhecer Ni Liv e se deixar levar por suas batidas e camadas sonoras. A princípio pode parecer que seu pop é um tantinho torto, mas não demora a percebermos que são esses passos fora da regra que definem que tipo de artista ela parece querer ser: aquela que é pop o suficiente, mas não se deixa engolir pelas convenções do gênero. Ah, e o norueguês nunca soou tão fluido.

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