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13 Reasons Why – A Trilha Sonora (2017)

Com a seleção de músicas/produção executiva de Selena Gomez e composição original para a série de Eskmo, trilha sonora perde fôlego do meio para o quase-fim, e só não brilha mais por falta de espaço ou escolha dos produtores

por brunochair

Antes de mais nada, importante dizer o que não será discutido nessa resenha. Ainda que o resenhista tenha assistido com curiosidade a série, não irá produzir ou reproduzir qualquer tipo de análise sobre as cenas e personagens. Tampouco fará comentários envolvendo as cenas de suicídio, a abordagem sobre o bullying, o amor, a adolescência, a HighSchool. Há centenas de outros textos na internet abordando tais temas, seja com propriedade ou de forma leviana (caro leitor, cuidado com o que lê por aí!). Aqui, faremos uma análise tão somente da trilha sonora, a partir da conexão entre a narrativa e as músicas, os gêneros que são mais vistos aqui e ali, bem como as referências a músicos e bandas que aparecem (não sonoramente) no transcorrer do seriado.

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13 Reasons Why é uma série de televisão baseada no livro de mesmo nome (2007) escrito por Jay Asher e adaptada por Brian Yorkey para a Netflix. O seriado foi lançado oficialmente em 13 de Março de 2017, estando a partir desta data liberados todos os episódios e um extra, “13 Reasons Why: Beyond the Reasons”. A cantora Selena Gomez é uma das produtoras executivas da série, e também responsável por boa parte das escolhas das músicas que aparecem na trilha sonora. Eskmo, produtor e compositor de música eletrônica, ficou responsável por criar a música tema e das trilhas que caracterizam os principais personagens da história. São diversas as músicas que aparecem no decorrer da série, e no fim desta resenha temos algumas playlists: tanto a Soundtrack oficial da série quanto as que acrescentam as canções que aparecem em determinados episódios, conforme analisaremos adiante.

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Clay e Hannah

Logo no início do primeiro episódio, quando Hannah Baker faz as saudações iniciais através das suas fitas, a música “More Than Gravity” (da dupla de folk Colin & Caroline) começa a tocar. A fala de Hannah (Katherine Langford) é entrecortada com imagens do seu armário na HighSchool, tudo isso visto sob a óptica de Clay Jensen (Dylan Minnette). A música é bonitinha, mas ao mesmo tempo a letra da música prenuncia um certo conflito interno que permeará a relação de ambos por toda a série: esse medo de estarem juntos, de reconhecerem o quanto um gostava do outro. “Não posso te amar, estou com muito medo”. Uma música fofa, um apelo adolescente, mas que contém uma mensagem que contém sentimentos e profundidades: eis que na música de introdução da trilha sonora de 13 Reasons Why temos um bom resumo do que é a série.

Ainda no primeiro episódio, quando Tony (Christian Navarro) oferece uma carona para Clay em seu possante, Tony pergunta a ele se pode colocar uma fita k7 pra tocar. A relação da série com as fitas começa a acontecer a partir daí, e uma das músicas mais importantes da trilha sonora também aparece: “Love Will Tear Us Appart”, do Joy Division. A música, lançada em junho de 1980, foi escrita pelo vocalista e compositor Ian Curtis, um mês antes de cometer suicídio. A escolha desta canção para a trilha sonora foi interessante não só por conta do tema suicídio, mas também em razão do amor entre os casais Ian Curtis/Deborah (o da vida real) e o Hannah/Clay (da ficção) existirem, mas estarem dificultados por uma série de incompreensões de si, do outro e dos outros. O amor está ali, mas vivenciá-lo em sua plenitude é uma tarefa ardilosa, quase impossível.

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Tony

O primeiro episódio é o mais caprichado quanto à trilha sonora. Quando Clay recebe as fitas gravadas por Hannah, tenta ouvir no aparelho de som do seu pai (sem sucesso) e cruza a cidade de bicicleta para “pegar emprestado” o walkman de Tony, a tensão é condensada pela música “Riding”, do produtor e compositor de música eletrônica Eskmo. Importante ressaltar que há dois tipos de trilha sonora que aparecem durante a série: uma seleção de músicas (nesta seleção, há grande envolvimento de Selena Gomez), e uma criada tão somente para a série e os seus personagens. Eskmo é o responsável por criar, para cada personagem, uma sonoridade diferente, uma ambientação. É um trabalho também importante, que pode passar batido por ouvidos distraídos, mas que faz toda a diferença para o andamento da narrativa.

“Young & Unafraid”, do The Moth & The Flame, é uma das músicas que tocam na festa em que Hannah conheceu Justin Foley (Brandon Flynn), ainda no primeiro episódio. As bandas indie e alternativas aparecerão em vários momentos do seriado, seja na trilha sonora ou em referências. Basta dar uma olhada com cuidado nos pôsteres existentes no quarto de Clay para notar Arcade Fire, The Cure, The Shins, Bon Iver. No quarto de Alex (Miles Heizer) também é possível visualizar um pôster do Joy Division, banda esta que paira em vários momentos da série. Em outro momento no qual as referências à música são representadas através de imagem, Justin e Jessica (Alisha Boe) vão no concurso de fantasias da escola vestidos de Sid Vicious (baixista do Sex Pistols) e Nancy. Outra referência da série a um casal intempestuoso: Sid foi acusado de matar a parceira, fato que não chegou a ser confirmado. Meses após, Sid morre vítima de uma overdose de heroína, mas deixa uma carta suicídio relatando que havia firmado um pacto com a sua ex-parceira, e por isso estaria abandonando o mundo. Há amor, mas (sobretudo) há muito conflito, questões internas. Isso aparece em Hannah/Clay, Justin/Jessica, Sid/Nancy, Ian Curtis/Deborah.

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Alex e Clay

Mas, voltando a uma linha cronológica, podemos dizer que o primeiro episódio é bastante rico, contando ainda com “You Me, Cellphones” do Husbands, “Cool Blue”, do Japanese House, “Olympic Ayres”, do Magic, e “Mess is Mine”, do Vance Joy. Quanto aos estilos musicais, o indie e o rock alternativo (tanto mais contemporâneo quanto das décadas de 70 e 80) dividem o protagonismo com o folk mais “fofinho”, que vão pautar as cenas e momentos entre Clay e Hannah. Ainda sobre os estilos, apenas a título de exemplo, basta dar uma olhada no episódio 3, em que as baladinhas do Chromatics (“Into The Black”) e Meadows (“The Only Boy Awake”) contrastam com as alternativas do The Kills (“Doing It To Death”) e “Whatever You Want”, do Cold Showers. Muita coisa legal e alternativa que já ganhou resenha no Escuta Essa Review está aqui e ali, como Car Seat Headrest, St Vincent e M83.

A trilha sonora vai perdendo considerável fôlego, conforme vão avançando os episódios. E do episódio 06 ao 12 ela torna-se curiosamente um tanto escassa, caso façamos uma contraposição do que foi o início do 13 Reasons Why. Não sei se os produtores da série preferiram tornar a narrativa mais silenciosa a partir dali, dando ênfase em atos e fatos, mas é notória tal mudança de planos. Caso não tenha sido algo planejado, a impressão que se tem é a de que há ficou uma lacuna a ser preenchida, pois o seriado passa de extremamente musical para momentos em que o sonoro não é tão relevante assim, um fantasma do que existiu. Algumas orquestrações de Eskmo preenchem os fundos, criam algum tipo de tensão em diálogos importantes, mas não possuem a mesma ênfase do princípio.

13 reasons why

Sobre outras músicas importantes:

– “The Night We Met”, de Lord Huron. Ela é tocada no episódio 5, no baile de formatura. Hannah e Clay estão juntos. Por ser uma canção mais lenta (e romântica) a música exige que ambos fiquem mais próximos. Aquele bom momento para chegar junto, sentir o par e que, por conta das brincadeiras de mau gosto dos demais colegas de escola, o clima entre Hannah e Clay desfaz-se.
– “Only You”, da Selena Gomez. A música surge quase no fim do episódio 13, quando Clay termina de ouvi-las e tem uma conversa com o conselheiro da HighSchool, Mr. Porter (Derek Luke), entregando as fitas para ele decidir o que faria com aquele material. É o momento que Clay sente-se um pouco mais aliviado (talvez, dever cumprido), apesar de todas as marcas físicas e psicológicas que restaram daquilo tudo.
– “Windows”, da Angel Olsen. No momento difícil do último episódio, em que Jessica irá contar ao seu pai que foi estuprada por Bryce (Justin Prentice).

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Enfim, a trilha sonora de 13 Reasons Why é bem interessante. Como já falamos acima, ela perde um pouco de fôlego no miolo (episódios 06 ao 12) no que se refere às músicas que aparecem, aqui e ali. As ambientações produzidas pelo produtor e compositor de música eletrônica Eskmo preenchem espaços de diálogo e tensão, reforçam a característica de cada personagem, dão à série essa roupagem moderna e este é um ponto positivo a ser realçado. Selena Gomez também fez excelente trabalho como produtora executiva, escolhendo um repertório bastante diverso e interessante. A impressão final é: se a trilha não brilhou ainda mais do meio para o fim, não foi por culpa dos seus responsáveis.

Trilha Sonora Completa, criada pelo InfoGeekCorp:

 

Outras versões da Trilha Sonora:

 

 

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