2017 Metal Resenhas Rock

Deep Purple – InFinite (2017)

Novo álbum mostra que nem todo mundo sabe envelhecer bem na música

Por Gabriel Sacramento

Um novo álbum do Deep Purple sempre vem carregado de mistério. Depois de tantos anos, tantas formações, simplesmente não sabemos o que esperar quando eles anunciam um novo trabalho a essa altura do campeonato. Principalmente depois dos sérios problemas de saúde que o baterista Ian Paice sofreu e a idade avançada dos membros da banda.

Se em Now What? (2013) e em Rapture of The Deep (2005), vimos um Purple cansado, depois de longos anos, mas ainda fazendo algo interessante e que se situava bem à época, InFinite – que pode ser o último álbum da banda – não consegue ir longe. O peso da idade reflete-se ainda mais no jeito dos músicos executarem seus instrumentos e na falta de energia nos arranjos. Temos ainda bons riffs, liderados pelo tecladista Don Airey e pelo guitarrista Steve Morse, que já estão há anos juntos, mas que não soam tão bem e fazem com que InFinite fique no meio do caminho.

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“Time For Bedlam”, por exemplo, abre o disco com quase tudo o que é necessário pra um bom álbum do Purple: boa interação órgão-guitarra, bons riffs, solos, seção instrumental bem executada, cozinha afiada, mas ainda falta algo. Esse algo talvez seja um bom refrão, melodias mais atrativas ou simplesmente mais energia e peso. A sensação de que tem algo faltando continua a medida em que vamos avançando no tracklist.

Muita gente tem criticado a voz do Gillan, que está afetada pela idade e não permite que o cantor tenha uma performance tão boa quanto as de antes. Isso é perfeitamente natural. Todos os cantores passam por isso. Mas a questão aqui não é só o cantor, mas toda a banda parece ter dificuldades, executando os riffs e arranjos sem a pegada forte que é necessária. A idade dos membros, junto com uma acomodação no tocante à produção do disco fizeram com que, no final, a experiência de ouvir o álbum não seja totalmente satisfatória.

Essa acomodação também é natural, inclusive. Para uma banda que já lançou os seus melhores trabalhos, não tem nada a provar e tem uma base consistente de fãs, o mais fácil é se acomodar e entregar resultados medianos sem se importar tanto. No entanto, o Purple acaba sendo traído por esse comodismo, e falta uma certa vontade de arriscar, que poderia tirar a banda da zona de conforto e levá-los à um trabalho um pouco mais esmerado.

Podemos observar o exemplo de outras bandas antigas que não deixaram o tempo minar suas forças. O Iron Maiden é uma prova disso, imergindo depois de tantos anos no progressivo e lançando um disco duplo pela primeira vez, o The Book of Souls (2015). Algo inovador para eles. O Metallica trouxe algo diferente dos seus discos anteriores, voltando às raízes em alguns momentos. No caso do Black Sabbath, eles não trouxeram nada absolutamente inovador, mas também não perderam a mão para fazer aquilo que sempre fizeram de melhor: heavy metal dark.

Outro bom exemplo é o Glenn Hughes, que inclusive já foi do Deep Purple. O baixista e vocalista continua super ativo na música, lançando ótimos discos e se envolvendo em boas parcerias. O mais recente álbum da sua discografia é uma boa prova de um músico de sessenta e cinco anos que ainda sabe fazer rock com energia para nos impactar.

O problema do Deep Purple em InFinite é quase o mesmo dos Rolling Stones em Blue & Lonesome (2016): aplicam bem a fórmula, mas carecem de vitalidade pra algo que pretende ser roqueiro. No mais, vale louvar o esforço dos caras, que mesmo sem a mesma disposição de sempre, ainda buscam presentear os fãs com músicas novas. Caso seja este o fim, InFinite não é o suficiente para manchar o nome da banda ou fazer com que esqueçamos de quem eles foram. Mas deixa evidente que nem todo mundo consegue envelhecer bem na música.

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6 comentários em “Deep Purple – InFinite (2017)

  1. Gabriel,

    Se você pretende ser crítico musical algum dia, desista, amigo.
    Nunca vi tanta asneira – para ser delicado – escrita junto.
    Me aponte, com honestidade, quem, hoje, tem capacidade para compor algo
    do naipe de “Birds Of Prey”.
    Desista de resenhar, cara pálida. poupe seus leitores de porcarias como as
    escritas acima.

  2. Vc deveria ser proibido de escrever. E lave a boca pra falar do Purple e fazer comparações com o Iron Maiden, que não amarra nem um dos cadarços da chuteira do DP.
    Retire-se, amigo.

  3. Curioso. Estou a ouvir o álbum pela primeira vez e concordo inteiramente com o crítico. Sem Ritchie Blackmore e Jon Lord isto está mesmo fraquinho…

  4. Um lixo…a resenha e não o álbum, é claro. O Purple, assim como outras bandas, já viram sim dias melhores, mas ‘Time for Bedlan’ e ‘Birds of Prey’ já valem o disco. As comparações com outras bandas das antigas tampouco fazem sentido. Pode-se ouvir sem receio.

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