Incubus – 8 (2017)

Uma aula de equilíbrio

Por Gabriel Sacramento

Sabe o Incubus? Sim, aquela banda dos anos 90, que marcou muita gente com singles de sucesso, com sua sonoridade roqueira que alternava new metal com funk, e uma veia divertida, típica da Califórnia? Bem, eles estão de volta depois de um breve hiato, que foi importante para que os membros se dedicassem aos seus trabalhos paralelos e à vida fora da música.

Analisando a obra discográfica da banda, tiramos algumas conclusões: a banda nunca teve a intenção de se prender a um estereótipo musical e soube com cuidado renovar o som ao longo do tempo, mantendo um fator comum nos discos, que é a identidade. Outra conclusão é que isso acabou desagradando alguns fãs, aqueles que chamam qualquer álbum de “pop”, se, por exemplo, tiver mais de uma balada e fizer mais sucesso que o comum. Mas o grupo liderado por Brandon Boyd deseja se divertir com sua música, tentando a cada álbum não se repetir. E é assim também com o novo trabalho, intitulado 8 (que e é justamente o oitavo).

If Not Now, When (2011) é o disco anterior dos caras. Trazia uma pegada bem mais sensível e sentimental, mas que não tira o brilho das boas composições. E até as partes mais pesadas do disco não se comparam com os discos anteriores. Por sua vez, 8 pode proporcionar momentos de nostalgia para os fãs mais antigos, com guitarras pesadas e um feel que remete aos primeiros álbuns. A produção é assinada pelo Dave Sardy (Royal Blood, Oasis, Chris Cornell) e pelo Skrillex. O segundo assinou também a mixagem.

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A abertura é com “No Fun”, uma faixa que resgata uma vibe rock anos 2000, com peso, mas soando também divertida e com um refrão marcante. É um som até datado, mas não deixa de ser interessante. “Nimble Bastard” não foge dessa veia nostálgica e divertida, com Brandon mostrando porque é um dos melhores cantores dessa geração roqueira dos anos 90-2000, com uma interpretação fantasticamente precisa. Se nas duas primeiras tivemos peso com acessibilidade e refrões chamativos, no resto da tracklist temos uma sequência de faixas que mostram que a banda sabe trabalhar o equilíbrio entre partes bem pesadas e partes mais leves.

“Familiar Faces” é grudenta, apostando na repetição de palavras e no jogo inteligente de conexão entre elas. Mas não é pesada. Já “Glitterbomb” e “Throw Out The Map” mesclam bem momentos de guitarras distorcidas no primeiro plano e outros com as seis cordas mais afastadas. Esta última com um riff que lembra muito os do Tom Morello no finado Audioslave. “Loneliest” é uma balada bem doce, mas que mantém o tom e clima de balada típica da banda.

“Make No Sound In The Digital Forest” é uma prova de que a banda se permite criar livremente também. Faixa sem vocal, bem ambiente, com notas de guitarra espalhadas, efeitos diversos e um baixo forte. Aliás, também é uma prova de que a parceria com Skrillex funcionou bem, já que aqui ele deixa evidente a sua marca e consegue um resultado muito bom, que traz uma diferença notável na audição. É possível perceber o Skrillex claramente em outros momentos do disco também, o produtor soube bem trabalhar a sua identidade e a identidade da banda em paralelo.

Incubus 8

Se você gosta das bandas de rock alternativo que invadiram o cenário fonográfico na última virada de século e infestaram as rádios com seus singles acessíveis, vai se sentir muito bem ouvindo este disco. Aqui, ainda mais do que nos anteriores, a banda aprofunda a veia alternativa e descomplicada do Make Yourself (1999), mas inserindo boas guitarras no meio de tudo e uma intensidade roqueira intermitente. Ou seja, se pudesse descrever este disco com apenas uma palavra, seria equilíbrio. O mesmo que faltou para muitas bandas daquela época – que acabaram encharcando o som de açúcar -, aqui sobra.

Depois de tantos anos e tantas mudanças, o Incubus recupera aquele som com propriedade, sabendo o terreno em que está pisando e exalando consistência. 8, portanto, é mais pesado que o anterior, mas também sabe aproveitar bem a sensibilidade deste. Mesmo diante das mudanças de sonoridade, a banda sempre manteve uma regularidade no quesito qualidade, e 8 não é diferente.

Ouça e divirta-se.

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