2017 Indie Pop Resenhas

Future Islands – The Far Field (2017)

Aqui está uma banda que você precisa (urgentemente) conhecer

por brunochair

Samuel T. Herring e sua trupe estão de volta com disco novo! Caso você nunca tenha ouvido falar de Future Islands, faça um pequeno favor a você antes de começar a ler esta resenha: assista ao vídeo abaixo do grupo apresentando-se no extinto programa do Late Show With David Letterman, em 2014:

Assistiu? Riu, achou estranho? Poxa, alguma impressão Samuel T. Herring deve ter passado pra você. Desde a primeira vez que assisti a uma apresentação do Future Islands, quando estou desanimado com alguma coisa (depressivo até) coloco um vídeo qualquer do grupo ao vivo para apreciar a performance apaixonada de seu vocalista. O cara é um barato. Assistir a ele desfigurando-se no palco durante as performances, batendo no peito e dançando tal qual uma serpente e suando em bicas aquelas camisas alinhadas é algo que nos aproxima dele, do humano que há nele. E sim, é muito engraçado. Impactante e impressionante, também.

Após essa apresentação no programa de David Letterman, o Future Islands passou do underground para uma posição de destaque dentro de um cenário alternativo dos Estados Unidos. Em Singles, disco que resenhei anteriormente, ressaltei a simplicidade sonora do grupo. Não espere nada muito extravagante, a não ser um synthpop bastante influenciado por bandas dos anos 80, como Depeche Mode, New Order e Duran Duran. Neste novo disco, The Far Field, a fórmula continua a mesma: apostar nas linhas de baixo de William Cashion e nas programações atmosféricas promovidas por Gerrit Welmers através do seu teclado. Ou seja, a cozinha é toda desenvolvida a partir desses dois instrumentistas e o baterista Michael Lowry (músico contratado). Samuel T. Herring recebe todo o espaço para brilhar – seja a partir de sua performance, do seu vocal e de suas composições.

future islands the far field 3.jpg
Os integrantes do Future Islands. Samuel T. Herring é o que está à direita

Quanto às composições, vale lembrar que na resenha de Singles relatávamos uma certa “breguice” no conteúdo das letras. Neste álbum, parece que Samuel T. Herring soube trabalhar melhor as suas narrativas, ainda que carregadas das costumeiras experiências pessoais e sentimentalismo. As composições estão mais artísticas, digamos. Em “North Star”, por exemplo, Herring devaneia sobre a chuva em um aeroporto. Em “Cave”, importante são as escolhas e circunstâncias das escolhas. Em “Through the Roses”, um filho dá adeus a seus pais, prefere errar sozinho (aliás, essa letra me fez lembrar um conto lindíssimo de Osman Lins, chamado “A Partida”). Não perdendo a vista da literatura, o nome do álbum (The Far Field) é inspirado em um livro de um poeta estado-unidense, Theodore Roethke.

The Far Field não é um disco assim, tão inovador. Mas Future Islands é um grupo que todo mundo deveria conhecer. A parte sonora é simples, mas ainda assim muito criativa; as composições são carregadas de sentimentalismo; o vocal de Samuel T. Herring é muito bom, já personifica o que seja a banda. E além disso tudo, as performances do cara ao vivo: impagáveis! A banda apresentou-se no Coachella, e o seu líder mais uma vez deu um verdadeiro show.

Future Islands, a banda legal com o tiozão que você mais respeita.

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Boas músicas: “Ran”, “Through The Roses”, “Shadows” (com Debbie Harry, ex-vocalista do Blondie), “Ancient Water” e “Black Rose”.

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