2017 Metal Resenhas Rock

Mothership – High Strangeness (2017)

Trio texano faz o rock ser empolgante e apaixonante

Por Gabriel Sacramento

Se você viaja nas guitarras pesadonas, cheias e musculosas do Mastodon – assim como eu -, irá adorar o que ouvir do Mothership. O grupo consiste de um power trio vindo do Texas que faz esse som que parece uma mistura de Spiritual Beggars e Mastodon, com riffs afiadíssimos, cozinha precisa e um vocal que, mesmo não sendo ótimo, se encaixa bem dentro da proposta. A banda é rotulada como stoner metal, mesmo som do Wolfmother, do supracitado Spiritual Beggars, do Samsara Blues Band e outros.

Sabemos que o riff no rock funciona como um elemento gancho, mais ou menos como os refrões e melodias são no pop. E no caso do Mothership, esse raciocínio é levado totalmente a sério. Os riffs de High Strangeness são fantasticamente bem elaborados e bem executados e perfeitamente construídos para funcionar dentro do formato guitarra-baixo-bateria, com apoio de distorções grandiosas que tornam tudo muito sujo e muito barulhento. Uma prova disso é a versão que eles fizeram de “Good Morning Little School Girl” em 2014 – sim, aquele blues clássico que tem um riff bem marcante. Com certeza, você já ouviu muitas versões desta música por aí, mas nunca nenhuma como a que eles fizeram. O trio distorceu o riff ao máximo, diminuiu a velocidade e investiu no groove. O resultado é uma faixa com um peso avassalador, que soa como um prédio desmoronando em nossos ouvidos.

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High Strangeness é o terceiro álbum dos texanos. Foi gravado e mixado por Ryan Lee e masterizado por Tony Reed. Traz somente oito canções, mas são o suficiente para provar a força do trio.

A faixa-título é instrumental, abre o disco demonstrando como bem timbrados e equilibrados estão os instrumentos. Em seguida, temos “Ride The Sun” infestando o espaço sonoro com fuzz e riffs precisos. Percebemos também como os três instrumentos se comunicam bem, ao mesmo tempo em que se destacam individualmente. “Midnight Express” é a banda soando muito como o Spiritual Beggars, com o andamento cadenciado focado na riffaria e vocal roucão. “Helter Skelter” – que nada tem a ver com aquela que é uma das músicas mais pesadas dos Beatles – segue acrescentando peso e agressividade ao álbum, com a mesma lógica de muitos riffs conduzindo toda a música. Assim o disco segue, quase sem deixar o ouvinte respirar, mas o envolvendo a cada vez mais na poeira guitarreira, deixando tudo embaçado e nada mais visível que não seja guitarra-baixo-bateria e vocal. Pelo menos, não deixa respirar até “Eternal Trip”, mais uma faixa instrumental de guitarra limpa e dedilhada. Mas depois desse breve momento de calmaria, logo voltamos à porradaria desmedida nas últimas faixas.

High Strangeness é um álbum de Stoner que não acrescenta algo inovador a tudo que já foi feito e a todo o trabalho de gente como Rival Sons, Graveyard, Blues Pills, Wolfmother e outros. Mas não tem essa pretensão. Afinal, a música não precisa ser inventiva sempre, mas precisa tocar e dizer algo ao ouvinte. E a pretensão do álbum é fazer o estilo soar vigoroso, enérgico e empolgante, como deve ser. Mesmo aplicando a fórmula, a banda consegue um resultado de alto nível, que nos faz compreender a necessidade e importância de um estilo como o stoner rock dentro do cenário da música pesada.

Se o problema de muitas bandas por aí é o fato de querer acrescentar peso ao som por querer ser cool ou fazer parte de uma tendência sem se preocupar em fazer isso devidamente, o Mothership faz o som pesado se tornar uma arte. Ouvi-los é perceber o poder que um riff tem. É perceber que música pesada é empolgante por si só, pois te dá vontade de balançar a cabeça e de fazer air guitar. Afinal, essa sensação não morreu. Bandas como esse trio texano mostram que essa chama, que nasceu muito tempo atrás, permanece viva, pronta para explodir e queimar ainda mais a qualquer momento. A fúria roqueira presente em cada um dos músicos associada com o equipamento sempre bem timbrado faz com que eles alcancem o sucesso naquilo que propõem. E High Strangeness é mais uma prova concreta disso.

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2 comentários em “Mothership – High Strangeness (2017)

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