The Raveonettes – 2016 Atomized (2017)

O anti-álbum se revela, afinal, o maior laboratório criativo da dupla dinamarquesa

Por Lucas Scaliza

O disco é de 2017, mas as faixas são todas de 2016. A história é a seguinte: Atomized é uma coleção de faixas lançadas separadamente pela dupla The Raveonettes ao longo do ano passado e só agora reunidas em um produto. Se não são exatamente inéditas, resta saber se compõe um todo coeso.

Sim, as 12 músicas de Atomized fazem sentido juntas. Ao mesmo tempo exorcizam o clima pesado que marcou o ótimo Pe’ahi (2014) e abre Sune Rose Wagner e Sharin Foo para novas possibilidades, como as intervenções de voz em “Run Mascara Run”, o balanço groovado que encontramos em “EXCUSES”. A viajante “PENDEJO”, que fecha este “anti-álbum”, sozinha tem o tamanho de quatro ou cinco músicas padrão da banda.

the_raveonettes_2017

Basicamente, em termos de sonoridade, a banda continua sendo um mix de guitarra sujinha, baixo, bateria, teclado e vozes suaves que parecem gravados dentro de um aquário ou encanamento. Musicalmente, estão muito mais amplos, diversos e corajosos.

Enquanto faixas como “This World Is Empty (Without You)” e “Won’t You Leave Me Alone” ainda são o velho Raveonettes roqueirinho e pós-punk de sempre, a excelente “Scout”, com baixo e bateria black music entrecortados por passagens mais sentimentais de voz e teclado mostra a banda amadurecendo sua expressão artística. “A Good Fight” é um eterno vai e volta entre a ansiosidade do rock básico e as lindas passagens instrumentais comandadas pelo teclado. “This Is Where It Ends”, com sua dose de emoção e de maluquice, parece saída da mente de Wayne Coyne, do The Flaming Lips. “Choke On Love” e “Junko Ozawa” apostam em riffs tropicais. Nem mesmo a balada “Where Are You Wild Horses?” soa deslocada nesse álbum cheio de misturas bem-vindas.

Embora observar todas as possibilidades serem testadas por Sune e Foo seja muito divertido, surpreendente até, Atomized é uma coleção de faixas. Uma boa coleção, diga-se. Mas talvez a falta de um projeto maior que tivesse unido todas as faixas desde o início faça falta. Não é o melhor álbum dos dinamarqueses, mas é sim um dos melhores laboratórios de criação que a dupla já entregou aos fãs.

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