2017 Eletronica Pop Resenhas Rock

Linkin Park – One More Light (2017)

Disco suave e pop, com produção pouco criativa e um cantor que deixa clara suas limitações

Por Lucas Scaliza

O segredo para curtir One More Light é ouvi-lo como um disco de pop eletrônico comum, como se fosse o primeiro de uma nova banda. Caso você se lembre que quem assina o disco é o Linkin Park, e que já é o sétimo álbum da carreira deles e o mais diferente de todos, a chance de embrulhar o estômago é grande.

Não é que as músicas sejam ruins. Quer dizer, “Heavy”, “Invisible” e “Halfway Right” estão entre as piores canções que a banda já fez, mas “Nobody Can Save Me”, “One More Light” e “Good Goodbye” (que tem participação de Pusha T e Stormzy, mas parece música pop do Jay-Z) têm alguma dignidade. Outras caem na grande vala do lugar comum.

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O principal crime de One More Light não é ter trocado o rock ou eletro-rock pelo pop radiofônico, mas constituir-se de sonzinhos e texturas da moda que outros artistas já utilizaram muito tempo antes. “Sorry For Now” parece uma faixa não utilizada por Justin Bieber e “Talking To Myself” coloca uma guitarra para disfarçar que a faixa tem todo o jeitão de eletrônico topzera do David Guetta. “Sharp Edges”, com violões, é a coisa mais fofuxa do disco. Só faltou o ukelele. “Battle Symphony” não tem pressão suficiente e acaba soando açucarada demais no refrão.

Chester Bennington nunca foi um incrível vocalista, mas fazia um trabalho bastante competente ao interpretar as músicas da banda com agressividade, suavidade e emoção, de acordo com o que cada parte das faixas pedia. Neste sétimo álbum, tudo precisa soar mais frágil e mais limpo, e sua voz simplesmente perde o brilho em 80% do trabalho. Caso ouça sem lembrar que se trata do Linkin Park, vai perceber como o vocalista é limitado, mas OK para um primeiro álbum. Mas se se recordar de “Breaking The Habit”, “Faint”, “Numb” e “Crawling” quase tudo em One More Light vai parecer trilha de série adolescente de 24 episódios por temporada que evita qualquer contradição a todo custo.

Há guitarras no trabalho? Há, mas pouco usadas para manter o som característico dos outros álbuns. É importante considerar que a banda foi muito pesada em seu início nu metal, depois entrou em uma fase com maior proeminência dos elementos eletrônicos, e voltou com tudo ao rock pesado e punk no ótimo The Hunting Party (2014). Ou seja, não é como se a banda não tivesse mudado nunca. Porém, a falta das guitarras de Brad Delson farão qualquer fã de verdade do Linkin Park olhar desconfiado para One More Light – enquanto fãs de eletropop radiofônico e redondinho nem vão se dar conta de que esta é uma banda cujo primeiro single, antes ainda de “In The End” estourar, tinha um refrão hiperpesado e intenso, de fazer a molecada sentir a angústia e querer cortar os pulsos 17 anos atrás.

Delson e Mike Shinoda assinam a produção do disco mais uma vez. Shinoda deixa claro que ouviu de Martin Garrix a Skrillex, de Justin Bieber a Halsey, e copiou todos os sonzinhos que são parte da tendência, sem nem mesmo tentar transformar essas ideias em algo que tivesse a cara do Linkin Park. Como cantor mais melódico, Bennington segura as pontas, mas chega uma hora em que fica muito evidente sua limitada capacidade de entregar algo mais ao público. Sorte dele que as músicas são todas bem básicas.

One More Light também é lugar comum como obra em que a banda tenta trabalhar com mais contribuições e participações. Nenhum dos convidados é desafiado a apresentar algo diferente e que acrescente algo a suas discografias, carreiras ou a experiência do ouvinte. O que vemos de Kiiara, Pusha T, Stormzy e todos os outros backing vocals e instrumentistas convidados são apenas mais um “feat.” preguiçoso como 90% dos outros que já pululam por aí todas as semanas.

Das 10 faixas, talvez apenas as duas últimas não sejam boas para o rádio. Se era isso que queriam – como se precisassem sacrificar a identidade por mais popularidade – conseguiram. Contudo, o problema não é o Linkin Park fazer um disco pop. O problema é fazer pop de qualidade e originalidade muito discutíveis.

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