2017 Indie Pop Resenhas Rock

Kasabian – For Crying Out Loud (2017)

Banda explora o lado alegre e jovial do rock

Por Gabriel Sacramento

Algumas bandas da virada do milênio parecem possuir uma fórmula interessante que mistura bem a explosão de hormônios jovial, imatura e inconsequente, com uma agressividade chocante. Isso gera um som divertido, sobretudo, mas sujo e subversivo. Bandas como Kaiser Chiefs (no início), Libertines e outras bandas que resgataram a relevância do rock depois do grunge e do britpop fizeram isso com muita competência.

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Analisando sob esse espectro, o Kasabian é ainda mais interessante. A banda trabalha elementos eletrônicos, psicodélicos, espaciais, divertidos, joviais e distorcidos em uma verdadeira micareta de sensações e de referências. Assim como o Kaiser Chiefs nos primórdios, os britânicos do Kasabian conseguem te fazer dançar, mesmo que uma dança esquisita e guiada por doses desreguladas de guitarras nervosas. Ao mesmo tempo em que também criam em você um senso de rebeldia, mesmo que controlado por refrões gostosos de cantar.

Agora precisamos entender que o novo disco, For Crying Out Loud, segue uma linha mais direta e não é tão empolgante quanto o que foi descrito no parágrafo anterior. A banda parece querer enxugar um pouco sua música e torná-la específica. O álbum foi produzido e mixado novamente pelo guitarrista do grupo, Sergio Pizzorno, que soube bem como dirigir o grupo a esse objetivo específico.

“You’re In Love With a Psycho” deixa claro o aspecto pop da banda, meio que em um contexto indie. “III Ray (The King)” é indie total. Riffs magros, instrumentos pequenos na mix e vocais dobrados com aquele jeitão de cantar a lá Julian Casablancas. “Twentyfourseven” é marcante, tanto por suas melodias cantadas em coro, quanto pela fúria roqueira. Temos ainda “Comeback Kid”, com seu refrão convidativo e a loucona “Bless the Acid House”, que resume bem o que descrevi anteriormente: sonoridade alegre, divertida, imersa em uma massa ruidosa. Se existem momentos em que podemos levantar da cadeira e cair na dança, são em “Are You Looking For Action?” – com uma linha de baixo competente e uma batida rítmica básica e efetiva pra incitar o movimento corporal mesmo – e em “Wasted”.

Em seu novo disco, o Kasabian mostra que continua levando a sério a ideia de confeccionar bons refrãos e calcar suas faixas na qualidade das melodias. Elas chamam a atenção, mesmo que sejam envolvidas com uma boa consistência instrumental. Em For Crying Out Loud temos ainda menos do lado eletrônico da banda e é até menos dançante. No entanto, percebemos os ingleses indo fundo no lado mais pop aberto e divertido, com músicas em tom maior, que servem pra você ouvir com seus amigos e/ou primos enquanto joga vídeo-game em uma tarde ensolarada.

Por mais que o produtor e guitarrista do grupo não curta o termo “indie”, não há melhor termo para classificar o som do grupo. É indie rock, mesmo que o rock esteja um tanto mais diluído. Mas ainda assim é um disco que vale a pena ser ouvido com atenção. Indie, mas se não quiser um rótulo, pode entender como um monte de melodias acessíveis em um som jovial, insurgente e forte. Surpreenda-se.

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