2017 Metal Resenhas Rock

Sólstafir – Berdreyminn (2017)

Mais ancestral do que nunca, mais contemplativo do que antes

Por Lucas Scaliza

Ótta (2014) foi um dos discos mais surpreendentes que a Islândia já me deu. Heavy metal, hard rock, reverb, cenas mitológicas vikings e toda aquela vibe de música escandinava se combinavam em um disco potente e com garra. A verve do Sólstafir continua marcando presença em Berdreyminn, mas a banda islandesa escolheu uma abordagem um pouco menos metaleira dessa vez. Há guitarras cheias de distorção sim, mas não em tão grande quantidade quanto no anterior. Muitas vezes, são usadas para criar atmosferas com mais pressão, e não para exercitar os power chords metaleiros.

Das 10 músicas presentes na versão deluxe do álbum, apenas três ficam abaixo dos cinco minutos. Todas as outras chegam ou passam dos sete. Berdreyminn é, assim, um colosso. O maior uso de teclado e piano, assim como as guitarras mais abstratas, faz a banda evocar uma ancestralidade muito bonita e que a qualquer momento pode ser convertida em um rock pulsante (como em “Hvít Sæng” ou a ótima “Ambátt”).

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O que pode incomodar é que há muito menos peso, brutalidade e velocidade no novo trabalho do que em álbuns anteriores. O vocalista Aðalbjörn Tryggvason ainda grita, o baterista Hallgrímur Jón Hallgrímsson anda pega pesado, e o guitarrista Sæþór Maríus Sæþórsson faz barulho nas seis cordas, mas o resultado final são músicas mais lentas, com orquestração e teclas ganhando bastante proeminência. Está longe de ser um álbum ruim, mas precisa ser visto como trabalho que também tem heavy metal, e não calcado em um gênero musical apenas.

É notório o esforço da banda para acrescentar mais melodias a sua música. “Silfur-Refur”, “Ísafold”, “Hula” e “Nárós” te conduzem pelas paisagens frias do norte europeu com muito jeito, entregando alguns momentos mais abrasivos no meio de uma roupagem mais acessível. Mas já fica o aviso: se o passeio que esse quarteto de abertura proporciona não tiver a paisagem que você procura, pode perder as esperanças, pois a jornada até o final não fica muito diferente. Agora, se você curtir essa proposta sonoramente mais aberta, não deixe de seguir até “Bláfjall”, que coloca um órgão daqueles bem cerimoniosos para contrastar com um ritmo nervoso. Até mesmo as duas faixas bônus parecem querer mesclar elementos de new wave e climão post-rock ao perfil da banda.

No final das contas, dá até para estranhar algumas escolhas, mas em termos de estilo e som – incluindo os timbres – não fica muito longe do anterior. Talvez a maior diferença, no final das contas, seja que Ótta entrega mais momentos catárticos, enquanto Berdreyminn seja mais contemplativo – mas não pense que não há momentos de pura emoção.

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