2017 Resenhas Rock

Big Big Train – Grimspound (2017)

Rock progressivo inglês clássico, criando a partir de referências do passado

por brunochair

Assim como em 2016, quando Kendrick Lamar lançou o disco Untitled Unmastered com sobras de To Pimp a Butterfly (2015), o Big Big Train também ficou com material de sobra do álbum Folklore, lançado em 2016. Pretendiam eles lançar apenas um EP (que tinha até nome definido: Skylon) mas, no processo de gravação, perceberam que as sobras eram muito mais prolíficas, e decidiram por gravar um LP completo. E assim surgiu Grimspound, décimo álbum de estúdio da banda inglesa.

Para quem não conhece o Big Big Train e seu gênero musical, importante dizer que os caras bebem na fonte do rock progressivo inglês. Não só bebem, como matam completamente a sede. É a inspiração absoluta, lugar seguro, referência e criação. Ao ouvir Big Big Train, é possível lembrar de grupos como Emerson, Lake and Palmer, King Crimson, Camel e (sobretudo) Genesis. A diferença é que, na época, essas bandas faziam uma música revolucionária (ainda que complexa) e hoje o Big Big Train trabalha numa linha até mais nostálgica, por conta de ter permanecido intacto às mudanças do estilo. O rock progressivo ganhou outros tantos braços: alguns aproximaram-se ainda mais no jazz, outros tantos incorporaram elementos do heavy metal no progressivo, e outras bandas propuseram-se a incorporar o elemento progressivo ao pop. Mas o Big Big Train está lá, intacto, nostálgico, como se seus discos tivessem sido lançados na década de 70.

big big train - grimspound3.jpg

Grimspound é isso: um rock progressivo bem clássico, e letras seguem também esta linha mais clássica. É o caso da música que abre o disco, “Brave Captain”, que narra a história do piloto inglês Albert Ball, que morreu como um grande herói na Primeira Grande Guerra. Thomas Fisher, outro personagem da história inglesa (esse, séculos atrás), é o protagonista da música “The Ivy Gate”. Quando o mote não é sobre personagens históricos, as canções lembram um pouco a ambientação espiritualista e naturalista do Yes, como em “Grimspound”, “As the Crow Flies” e “Meadowland”.

Aliás, nesta música citada o vocal de David Longdon lembra muito o de Neal Morse, e talvez aí seja o lugar do Big Big Train hoje: no neo progressivo, gênero que teve um boom nos anos 90 com Spock’s Beard e Flower Kings. A musicalidade do Big Big Train é irretocável, por conta dos excelentes músicos que ali estão. Nick D’Virgilio é uma sumidade na bateria, assim como o trabalho dos guitarristas em criar uma sonoridade próxima daquilo que foi o rock progressivo setentista inglês.

A crítica que é possível fazer destes caras é essa característica muito séria e grave, como se estivessem criando música de fraque. Os temas são passadistas, tanto nas letras de música quanto nas composições. Está certo que olham pra trás e reelaboram através de belas melodias e letras, mas há que se olhar pra frente também – ou pelo menos pro atual. Escrever músicas sobre a atual condição xenófoba da Inglaterra, o aumento progressivo de islâmicos no continente, enfim… refletir sobre o presente também é um possível.

big big train - grimspound2.jpg

De qualquer forma, Grimspound é um disco bem interessante. Uma boa pedida para os fãs mais antigos e conservadores de rock progressivo, que torcem o nariz para essas ramificações que foram surgindo do estilo, com o passar das décadas. Uma obra bastante interessante de rock progressivo setentista, lançada em 2017.

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