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Benjamin Booker – Witness (2017)

Blues + punk. Você precisa conhecer Benjamin Booker

Por Gabriel Sacramento

Benjamin Booker é um sujeito complexo. Um cara que se diz influenciado por Blind Willie Johnson e The Gun Club respectivamente, um bluesman da década de 1920 e uma banda punk que surgiu no final dos anos 70. Mas não é a disparidade das suas influências que o torna enigmático, mas sim sua disposição para fazer músicas que unem os dois universos, indo do blues encharcado de elementos do soul ao punk rock garageiro. Sua produção artística reflete diretamente a complexidade dos seus gostos.

Foi assim no primeiro disco, que levou o seu nome e foi lançado em 2014. Era incrível ouvi-lo e a cada faixa imaginar o que ele tentaria a seguir: se blues ou punk. No seu segundo trabalho, Witness, Booker mantém essa ideia de misturar os extremos, só que predomina a calmaria que foi menos frequente no anterior. Ou seja, o segundo álbum é quase um complemento do primeiro, o que torna sua pequena obra discográfica ainda mais interessante, um poço profundo de boas referências e preciosidades.

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O timbre vocal de Booker é fantástico e ele o usa estrategicamente. Em muitos momentos, o guitarrista da Virginia soa como um Gary Clark Jr., só que com suas particularidades e sem os solos expressivos.

A faixa-título foi lançada como single e foi uma música escrita para o movimento Black Lives Matter, falando portanto sobre racismo. A sonoridade beira o folk, com o coro marcante e a voz rouca do Booker prendendo a atenção. “The Slow Drag Under” é marcada pela estrutura harmônica típica do blues, com direito à um solo e vocais mais suavizados. “Truth is Heavy” possui uma linha melódica inquieta em contraponto com a melodia vocal cantada por Benjamin, com uma voz especialmente suave e arenosa, com uma técnica de drive que lembra a de James Morrison.

“Believe” é total soul anos 60, lembrando a era espectoriana mesmo, com uma ótima linha de baixo melódica que caminha pelo arranjo. Na letra, Booker diz: “Eu só quero acreditar em algo, não me importo se é certo ou errado”. Outra soulful deliciosa é “Carry”, com destaque para a interpretação do vocalista. Também temos momentos mais nervosos em Witness: “Right on You” abre o álbum com alto-astral e a veia roqueira típica do cantor. Temos também “Off The Ground” que começa com um violão dialogando com um piano, até que lá pra depois do primeiro minuto assusta o ouvinte com a urgência punk garageira. Booker consegue acertar a mão nas faixas mais agitadas tanto quanto nas mais calmas.

Witness é tranquilo, mas acelera nos momentos certos. É um disco que envolve o ouvinte em uma tranquilidade incrível, mas fornece a energia necessária para que o conjunto não seja sonolento. Misturando estilos distintos, de uma forma inventiva e original, é como o cantor nos cativa com suas boas canções, nos fazendo apreciar o tempo que passamos com ele. Um talento facilmente identificável. Uma das propostas sonoras mais curiosas do ano. Você precisa conhecer Benjamin Booker.

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