2017 Folk Indie Pop Resenhas

Sóley – Endless Summer (2017)

Islandesa volta ao piano e faz músicas de esperança e luz Por Lucas Scaliza Se a islandesa Sóley chegou ao seu verão e espera que ele seja infinito, é porque passou o inverno que marcou seu álbum passado, Ask The Deep (2015), muito mais abismal, eletronicamente processado e escuro em tons e cores. Não só […]

Islandesa volta ao piano e faz músicas de esperança e luz

Por Lucas Scaliza

Se a islandesa Sóley chegou ao seu verão e espera que ele seja infinito, é porque passou o inverno que marcou seu álbum passado, Ask The Deep (2015), muito mais abismal, eletronicamente processado e escuro em tons e cores. Não só de calor e ternura é marcada a mudança de lá para Endless Summer. A cantora também troca o difícil idioma nativo pelo mais abrangente e acessível inglês.

De certa forma, você já meio que antevê onde tudo isso vai levar. “Agora ela quer um público maior, ficou mais fácil, tá mais pop”, dirão. E isso realmente existe, mas nem sempre é tão simples assim. E Sóley não é, por enquanto, o Maroon 5. O disco realmente não é sombrio e difícil como o anterior, mas ainda é um tipo de música alternativa e que não aposta nos clichês mais comuns, como repetições de impacto ou refrãos chicletes. E há histórico: o disco mais folk rock We Sink (2011), que tem guitarras e violões na mão da artista, também é inteiro em inglês.

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A porção eletrônica de sua produção adorna as faixas, entrando aqui e ali para reforçar uma harmonia ou se misturar a voz (como em “Traveller”) ou criar batidas (“Grow”). Outros instrumentos, como cordas de orquestra, guitarra ,baixo e percussão, aparecem aqui e ali, nunca são constantes. A base musical de é mesmo o piano. Ágil, emocional, doce, melancólico, primaveril. São todas essas as matizes que o instrumento apresenta ao longo de oito faixas, bem diferente também do clima mais casa-antiga-e-mal-assombrada que marca o curtinho Krómantík (2014). Isso contribui para que a voz de Sóley tenha maior protagonismo, mostrando, mais uma vez, que ela se dá bem tanto como cantora quanto como vocalista (as vocalizações e vocais dobrados são espetáculos a parte).

Se parece que a música dela tem algo de sonho bom, é porque toda a ideia partiu de uma noite em que ela acordou e observou que deveria escrever sobre esperança e primavera. Então pintou seu estúdio de amarelo e roxo e começou a compor novas canções dentro dessa ideia e ambientes renovados.

Endless Summer é mais despido, mas mais focado e melhor resolvido que Ask The Deep e mostra uma maturidade artística que vai muito além do folk do EP Theater Island (2010), que também tinha certo protagonismo da Sóley pianista. Faixas como “Sing Wood To Silence”, “Endless Summer” e “Úa” (feita para sua filha – e também a primeira música composta por ela com acordes maiores) podem figurar entre as melhores que ela já criou, rendendo, quem sabe, até alguma comparação com a harpista Joanna Newsom.

Por fim, se os últimos lançamentos da islandesa ficaram fora de seu radar, deixe que Endless Summer seja a porta de entrada. Tal como uma Norah Jones, Sóley nos faz ouvir variados sons e formas de se expressar a cada álbum e EP, enquanto observamos ela ficar cada vez melhor.

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