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Boogarins – Lá Vem a Morte (2017)

Doa a quem doer

por brunochair*

Pegando a todos de surpresa, o Boogarins lançou seu trabalho novo no dia 07 de Junho, através do Consequence of Sound, site especializado em música lá dos Estados Unidos. Lá Vem a Morte é o terceiro trabalho do grupo. Como os próprios Boogarins ressaltaram, o disco é um EP longo e um LP curto, ou seja: em tempos de álbuns virtuais, chame-o da forma que melhor desejar. Hoje, o disco já pode ser ouvido e baixado também pelo Bandcamp da banda, streamings, YouTube, enfim… o play é tão livre quanto a extensão.

boogarins lá vem a morte2.png

“Eu amo vocês / Eu só tô defendendo uma parada que é pra sempre / E nunca mais volta”. A enigmática mensagem que abre o novo trabalho do Boogarins consegue ser um resumo do que é o embate entre ser quem sou e o que os outros são/ querem que eu seja. Uma relação sempre complicada, essa do mundo do eu e o mundo dos outros. Mas, não. Não diria que é um disco melancólico, como críticos e ouvintes de Boogarins consideraram. O que as letras curtas e detentoras de alta carga de subjetividade (talvez aí a confusão que se faz com a melancolia) nos transmitem é essa dificuldade de comunicação entre as pessoas, essa incompreensão da subjetividade e escolhas por conta de censura, civilização, bandeiras.

Aí fica a sensação desse não dito, dessa ejaculação incerta e não sabida, da intensidade despercebida. O inconsciente está ali, rondando, e pergunta se está tudo bem, se há alguma queixa, se podemos seguir além com outros corpos, outras vidas, num astral bom, o líquido vital a escorrer por tantos outros canais. Portanto, o disco não é assim tão down quanto dizem por aí: ele é auto-afirmativo, doa a quem doer. E, partindo dessa ideia da auto-afirmação, fica mais fácil ao disco escorrer por outros universos e possibilidades, dando maior ênfase e sabor aos elementos eletrônicos do que tem feito até então.

Doa a quem doer.

E muita gente não entendeu o significado disso tudo, talvez não tenha ouvido com a atenção necessária, se deixou levar pela primeira tradução, pelo primeiro texto, sentimento. Ele consegue ser muito experimental, mas não abre mão da psicodelia dos discos anteriores. É corajoso e auto-afirmativo lançar um álbum tão diferente quanto o bem-sucedido Manual, de 2015. As marcas do comodismo ficaram expostas – nos outros. No Boogarins?

Passou longe.

boogarins lá vem a morte3.jpg

*O resenhista que vos escreve é da turma que pirou ouvindo o segundo disco do Boogarins e o defenderá até a morte, mas conseguiu encontrar méritos, superações e coragens neste disco novo.

 

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1 comentário em “Boogarins – Lá Vem a Morte (2017)

  1. Melhor resenha! Foi além do senso comum e sem medo do profundo!

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