2017 Eletronica Indie Pop Resenhas

London Grammar – Truth Is a Beautiful Thing (2017)

Menos hipster e mais maduro, 2º álbum do London Grammar é a realização completa da banda

Por Lucas Scaliza

Quando escrevi sobre If You Wait (2013), o primeiro disco do trio London Grammar, concluí que a banda tinha potencial e deixava claro que poderia ser ainda melhor no futuro. A estreia foi boa, mas um segundo disco, mais maduro e consciente de seu papel, seria melhor.

O futuro chegou, o segundo disco também. A capa repete os mesmos três integrantes, nas mesmas posições em que estavam na capa de If You Wait. Mas é notável como mudaram fisicamente quatro anos depois. A imagem ainda é indie, algo evocativo dos anos 80, mas menos hipsters, mais maduros. E sobre maturidade, “Rooting For You”, que abre Truth Is a Beautiful Thing, é tudo o que você precisa ouvir para sentir a confiança da banda. Hannah Reid canta com emoção e com cálculo, sabendo exatamente como colocar a técnica a serviço do sentimento e vice-versa.

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O dream pop dos britânicos ainda é bastante melancólico, com piano e naipe de cordas fazendo o grosso do trabalho de harmonia. Aproveitam-se bastante de batidas eletrônicas sempre que possível, fazendo um trabalho especialmente bonito em “Wild Eyed”, com suas batidas mais profundas e mixadas de forma a criar diversas camadas de estímulos para os ouvidos. “Big Picture” e a ótima “Oh Woman Oh Man”, que traz um pouco de soul ao disco, permitem-se serem mais animadas, mas calma lá, nada de fazer você perder o fôlego na coreografia.

Não dá para desconsiderar o trabalho do tecladista e percussionista Dominic “Dot” Major e nem do guitarrista Dan Rothman. Ambos entregam um espetáculo musical que sempre acha uma boa maneira de se resolver. “Hell To The Liars”, um tanto monótona a princípio, é salva pela dupla de instrumentistas com uma das passagens instrumentais mais memoráveis do álbum. Embora o estilo acabe sendo parecido com o dos conterrâneos do The XX, o London Grammar toma o cuidado de apostar em desenvolver melhor as características que já marcavam If You Wait. E uma das principais é a voz de Reid, uma voz distinta e perfeitamente bem encaixada na produção de Major e Rothman, vez ou outra chegando a ser etérea (como em “Everyone Else”) e demonstrando ser versátil mesmo com todo o apego à técnica, lembrando bastante a Florence Welch, principalmente na linda e onírica faixa-título.

Existe uma atmosfera muito particular criada em Truth Is a Beautiful Thing que nos coloca diretamente nos arredores de Londres, fria e chuvosa, moderna e repleta de pessoas ainda usando os velhos casacos de couro preto dos anos 90 e descendo aos undergrounds da cidade para pegar o metrô. Se o rock inglês transformava isso em algo cheio de ação durante os movimentos punk e britpop, temos uma reinterpretação disso de forma mais reflexiva e meditativa com o London Grammar. Por mais que o crescendo de “Bones of Ribbon” e “Leave The War With Me” nos motive a atravessar a multidão e o grande espaço urbano, “Who Am I” está ali para nos fazer meditar enquanto o trem nos leva, solitários, para casa.

Truth Is a Beautiful Thing ainda se escora bastante na voz e na performance de Hannah Reid, mas está em equilíbrio muito maior com a sofisticada instrumentação de Major e Rothman. É notável que não corrigiram erros do primeiro disco simplesmente, mas amadureceram como um todo, como um trio, como uma banda. Seguindo a mesma linha da estreia, agora mostram do que são capazes de verdade. Se em popularidade não ultrapassam o The XX, em qualidade dão um passo à frente.

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