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Royal Blood – How Did We Get So Dark? (2017)

Banda reafirma seu posto como uma das mais interessantes na cena roqueira inglesa Por Gabriel Sacramento Os ingleses do Royal Blood impressionaram em 2014 com um álbum excelente que conquistou unanimemente a crítica e os fãs de rock ávidos por novos nomes interessantes. Três anos depois do disco de estreia arrasa-quarteirões, o duo lança a […]

Banda reafirma seu posto como uma das mais interessantes na cena roqueira inglesa

Por Gabriel Sacramento

Os ingleses do Royal Blood impressionaram em 2014 com um álbum excelente que conquistou unanimemente a crítica e os fãs de rock ávidos por novos nomes interessantes. Três anos depois do disco de estreia arrasa-quarteirões, o duo lança a continuação, que pontua o quanto a carreira tem ido bem e deixa claro que a fonte está longe de secar. Com o título How Did We Get So Dark?, cheguei a me perguntar se a banda realmente mudaria o som para algo mais obscuro, mas não foi o que aconteceu.

O novo álbum traz a produção de Joylon Thomas e a finalização do produtor que trabalhou no anterior, Tom Dagelty. Foi gravado em seis semanas, o que é um bom tempo, mesmo se considerarmos que eles não gravam muitos overdubs e o foco está em apenas dois instrumentos. Depois da pré-produção, dez canções foram selecionadas de cerca de 50 que tinham composto e sentimos que foram realmente as melhores canções – as faixas do novo disco não só são boas em termos de qualidade, mas também são interessantes para mostrar que Ben e Mike não optaram por fazer um simples mais do mesmo, um volume 2 insosso.

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No entanto, desde “Where Are You Now” – que foi divulgada em 2016, como parte da trilha de Vinyl, série da HBO criada por Mick Jagger, Martin Scorsese e Terence Winter -, percebemos que o lance é manter o foco e o conceito sonoro do primeiro álbum, sem muitas mudanças bruscas. A canção é uma das poucas do álbum (e da banda) em que o baixo de Mike soa realmente como um baixo, no começo da canção, embora em outros momentos o instrumento ganhe boost e passe a soar como uma guitarra soterrada de drive. Além do peso, Mike preza por melodias simples, mas fortes. Em “She’s Creeping”, o baixista e vocalista explora leves saídas do tom nos versos, que soam fantásticas, e um sexy falsete no refrão, que tira um pouco do aspecto sisudo da banda e leva pra algo mais solto.

“Look Like You Now” anuncia uma influência indie mais forte, das melodias vocais à estrutura e ao refrão. “Don’t Tell” é quase uma semibalada, só que com doses cavalares de distorção. O refrão é composto pelos recorrentes falsetes de Mike e um andamento mais arrastado. É uma faixa que pode trazer diferentes tipos de ouvintes e atrair mais atenção para a banda. Podia até ter sido single. “I Only Lie When I Love You” tem o jeitão stoner que fez a banda agradar tanta gente no primeiro disco – com direito à palmas e um cowbell que deixam tudo um tanto mais festeiro – e “Hook, Line & Sinker” mantém a pegada pesadona, orientada aos riffs ultradistorcidos.

Embora não possamos dizer que How Did We Get So Dark? tenha tantos singles de sucesso quanto Royal Blood, podemos dizer que esse álbum é uma reafirmação importante da capacidade de dois músicos competentes de fazer música descomplicada, intensa, viva, com ótimos ganchos e riffs que não desgrudam da mente. Os refrãos são impulsionados pela força dos riffs do baixo e por isso são tão marcantes e animados, sendo natural que provoque em nós a vontade de balançar nossas cabeças no ar.

Se no primeiro álbum o duo não aceitava de jeito algum o fato de gravar backing vocals, aqui eles deram uma trégua e preencheram a faixa-título com vocais que soam um tanto assustadores por serem tão repetidos no meio da base pesada – como se as vozes não se abalassem pelo peso absurdo que as envolve. Mesmo com essa mudança e, por exemplo, com a adição de mais falsetes nos vocais de Mike, a banda soa bem fiel ao seu som, sem abrir mão do que faz eles serem interessantes e, de certa forma, únicos. Os falsetes se encaixaram perfeitamente bem na proposta, deixando as melodias ainda mais irresistíveis e adicionando uma certa sensação de fragilidade em meio à toda a porradaria inquebrável. Além disso, é uma forma de diferenciar os vocais e conseguir uma forma distinta de expressão, por isso, muito válida.

A lógica instrumental continua a mesma: as referências sonoras da banda fazem com que eles componham músicas que necessariamente pedem um solo de guitarra em algum momento. Mas para suprir essa falta, eles encharcam o espectro sonoro com o ruído da distorção agressiva do baixo, executando riffs bem elaborados e que são tão importantes que geralmente são os primeiros elementos criados. O destaque interessante é o meio de “Lights Out”, com um fill de bateria, que segundo Mike, foi o que Ben executou no estúdio para atender ao seu pedido de tocar a coisa mais ridícula que ele pudesse pensar. O fato do fill ser longo e composto por apenas duas notas dá uma sensação de que estamos presos ao mesmo trecho (como se tivesse travado), quando na verdade foi mais um acessório criativo usado para deixar as coisas diferentes por aqui.

Considerado por muitos como a versão britânica do White Stripes e do Black Keys, além de ser uma das bandas novas que ganharam mais destaque – e que mais venderam – na cena roqueira da terra do chá, o Royal Blood tem mostrado que sabe bem como lidar com o sucesso e o reconhecimento, buscando, sobretudo, fazer música por diversão e divertindo e entretendo os seus ouvintes. Resta saber se eles continuaram fiéis a isso com o tempo e como a maturidade na carreira irá afetar a forma como pensam música.

No final, percebemos que How Did We Get So Dark? não é obscuro no seu núcleo, embora seja em alguns pequenos momentos estratégicos. Pode ser rotulado como mais do mesmo, mas feito com muita qualidade e competência, que não desaponta o ouvinte em nenhum instante e ainda funciona como uma ótima seleção de faixas que cumprem o objetivo de um bom disco de rock garageiro: soar incrivelmente sujo e agressivo.

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2 comentários em “Royal Blood – How Did We Get So Dark? (2017)

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