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A Banda Mais Bonita da Cidade – De Cima do Mundo Eu Vi O Tempo (2017)

Banda paranaense volta aos trilhos com 3º disco que faz jus ao que se espera dela

Por Eder Albergoni

É impossível não começar esse texto com uma sincera e feli afirmação: A Banda Mais Bonita da Cidade conseguiu! De Cima do Mundo Eu Vi O Tempo é um trabalho que faz jus ao que se espera daquela banda que lançou “Oração” em maio de 2011. Não que tivéssemos ficado cobrando isso da banda por todo esse tempo. Pelo contrário. Para alguns, a Banda Mais Bonita tinha até acabado. “Oração” levou o grupo a um lugar ao qual eles não pertenciam. E após vagarem pelo espaço/ limbo em O Mais Feliz da Vida (2013), estão finalmente no lugar feito especialmente pra eles.

De Cima do Mundo… é um disco de intérprete, desses que seria mais comum ser concebido por um cantor performático ou por uma cantora em ascensão na carreira. O conforto é tão grande que A Banda Mais Bonita se permite contrariar um movimento que poderia ser entendido como arriscado e desnecessário, e que, frente ao resultado, se torna belo e requintado. A grande maioria das músicas não são inéditas, mas sim versões de músicas mais escondidas do grande público, compostas e lançadas por gente como Ian Ramil, Alexandre França, Tibério Azul, Los Porongas e Maurício Pereira.

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“Inverno”, “Eu e o Dela” e “Suvenir” tecem uma rede que explica a sonoridade e o tema geral do disco. Não há modo de espera, a produção ágil e sem frescuras de Vinícius Nisi deixa os dramas à vista logo de cara. “A Pé” é o primeiro grande momento do álbum, com um duo de Uyara Torrente e Thiago Ramalho absolutamente esmagador de tão bonito. O refrão faz referência ao tempo e o poder que ele tem sobre o esquecimento. É a preparação ideal para a música seguinte.

Lançada originalmente por Maurício Pereira (Os Mulheres Negras, junto com André Abujamra) em seu disco Pra Marte de 2007, “Trovoa” é um poema realizando uma crônica urbana, ou “um poema lírico que se mostra a coisa mais lógica”, onde a vida é captada por quadros peculiares em momentos quase banais, ou ainda frames mais contemplativos. Tudo faz sentido quando chega o ápice: “Se você for embora eu vou virar mendigo”. Se “Trovoa” já tinha um lugar garantido no panteão das canções populares brasileiras, essa interpretação da Banda Mais Bonita não só confirma o lugar cativo, como também refaz a relevância da banda no cenário musical do país. “Trovoa” exalta o amor de uma maneira nada óbvia e termina como o relaxamento depois do orgasmo, com um magnífico e cortante solo de guitarra de Felipe Ayres (guitarrista do ruído/mm, que participa do disco inteiro). Se, com Maurício Pereira, a faixa já era um trovão, com a Banda Mais Bonita também é o relâmpago.

 

 

“A Geada” e “Bandarra” continuam arrematando a rede construída de tecidos sonoros, com imagens que ilustram viagens sem relógio, preenchendo um universo alternativo e mais provocativo do que o que era frequente. E cabe a “A Dois” o momento mais singelo do disco. Com quase tudo pronto, esse duo (agora Uyara com Marano, o baixista da banda),  tira a Banda Mais Bonita do buraco do “quase”, onde se meteram lá em O Mais Feliz da Vida. Nada naquele disco vai adiante, parecendo fadado à sensação de que algo fica engasgado e não sai. Aqui, “Tempo” talvez tenha alguma similaridade. Fosse uma música do disco anterior, seria um grito ensurdecedor. Mas sábio como e Tempo é, ele prefere apenas assinar o que se vê no Em Cima do Mundo.

“Oração” foi cruel e suprimiu o poder de outras músicas tão boas ou melhores que existiam no primeiro disco. Por consequência, já que ninguém escapa da síndrome do segundo disco que se resume em valer o pouco que havia sido feito, restou o espaço/ limbo em O Mais Feliz da Vida. Em Cima do Mundo conserta esse defeito e mostra como a Banda Mais Bonita da Cidade poderia hoje ter uma discografia mais concisa e coerente. Se esse não chega a ser o caso, Em Cima do Mundo Eu Vi O Tempo é o disco do agora, o tempo é relativo e o passado não existe.

 

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2 comentários em “A Banda Mais Bonita da Cidade – De Cima do Mundo Eu Vi O Tempo (2017)

  1. Olá, Eder!

    Som fantástico o desse pessoal!
    Valeu pela apresentação.

    Peço sua licença para divulgar os “Minicontos Volume 3”, grátis na Amazon até 23/06.

    Eu ficaria muito agradecido se pudesse baixar a obra e fazer uma avaliação.

    Muito obrigado,
    Lucas Palhão

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