2017 Metal Resenhas Rock

Anathema – The Optimist (2017)

Ingleses acertam na atmosfera, mas não superam o álbum de 2001 que originou a história de The Optimist

Por Lucas Scaliza

Acima de qualquer opinião que possamos ter sobre The Optimist, novo disco da banda Anathema, é importante lembrar que os ingleses estão em uma ótima fase marcada pela maturidade e autoconsciência musical. Depois de nos encantarem com as forças da natureza e Weather Systems (2012) e com as harmonias espaciais de Distant Satellites (2014), resolveram apostar basicamente no que já estava dando certo, mas gravando de uma forma diferente.

O que estava dando certo – e continua muito bom, aliás – são as composições em ciclos. Basicamente, grande parte das músicas do Anathema vem sendo pensadas como uma ciranda, em que o mesmo esquema harmônico se repete às vezes ao longo de uma faixa inteira. E então temos o golpe de mestre: a variação dinâmica. Foi assim com os dois últimos discos e havia sido assim com diversas músicas mais antigas. The Optimist não foge à regra e nos emociona fazendo com que uma faixa comece em um patamar, chegando ao seu final (ou perto dele) de forma épica, com toda a banda tocando bem alto, com arranjos mais fortes, como uma orquestra que começa em piano e termina a mesma sequência de notas e acordes em fortissimo. A roqueirinha “Leaving It Behind”, a mais eletrônica “San Francisco” e a incrível “Springfield” são exemplos disso. Esta última, aliás, belamente cantada por Lee Douglas, parte de uma balada e chega a soar como uma explosão estelar em seu auge.

anathema_2017

Mesmo quando não apostam na mesma harmonia cíclica, apostam em crescendo. “Endless Ways” – com guitarras de Daniel e Vincent Cavanagh que lembram desde Mogwai até U2 – é outra que eleva a dinâmica, transformando qualquer música aparentemente meditativa em uma pedrada roqueira. E o mesmo acontece com “The Optimist”. E com “Can’t Let Go” também (a mais inglesa do disco). E com “Wildfires”. “Back To The Start”, idem. Como se vê, é um recurso usado a exaustão. A questão é que isso tanto é previsível quanto continua sendo emocionante de verdade. Daniel Cavanagh, o mastermind por trás da estrutura da maior parte das músicas da banda, é um mestre nesse esquema e mesmo se repetindo consegue fazer boas músicas. Mas que The Optimist acaba soando manjado a certa altura, soa mesmo.

A novidade de The Optimist é que o sexteto gravou grande parte das instrumentações ao vivo no estúdio Castle Of Doom, na Escócia, todos juntos de uma vez só (as vozes foram gravadas separadamente). Principalmente o baixo de James Cavanagh e a bateria de Daniel Cardoso e John Douglas soam realmente menos processados e mais “ao vivo”, com uma pegada que qualquer fã de rock e metal vai reconhecer de shows. As guitarras também foram beneficiadas, principalmente porque soam mais secas e viscerais do que em todos os últimos discos da banda (a parte final de “Wildfires” não me deixa mentir).

Tony Doogan foi o produtor contratado e que realmente deixa sua marca na banda. Conhecido por produzir outras duas bandas escocesas, os pot-rockers do Mogwai e os indies Belle And Sebastian, ele não mexeu na estruturação que dá cara ao som do Anathema, mas no que se refere a criar ambientações sonoras (com teclados, sintetizadores, equipamentos eletrônicos e orquestrações), pôde criar uma identidade realmente mais ambiente rock do que em Weather Systems e Distant Satellites. Se o álbum de 2012 era mais força da natureza e o de 2014 mais imensidão espacial, The Optimist deriva mais de uma mente urbana.

As letras, em grande parte, são menores do que antes, o que indica uma preocupação muito maior com a atmosfera do ambiente e não com a história que se pretende contar. Afinal, The Optimist é uma continuação da história de A Fine Day To Exit (2001), que acho, inclusive, muito mais diverso, criativo e, no geral, melhor que sua continuação. Aliás, durante a campanha de divulgação do novo disco, a banda afirmou que seria a coisa mais “dark” que já fizeram. Isso com certeza não é verdade. “Underworld”, “Pressure”, “Panic”, “Breaking Down The Barriers”, todas lá de 2001, são muito mais pesadas e com harmonias mais “dark”.

Não é o melhor disco da banda e nem fica acima dos celebrados dois últimos lançamentos. Tentaram unir o Anathema roots com o Anathema bem produzido da última década e conseguiram um disco legal, mas longe de penetrar na alma e no coração do ouvinte por muito tempo.

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2 comentários em “Anathema – The Optimist (2017)

  1. natalia beani de carvalho

    Lucas, vc definiu exatamente o que eu penso. Anathema mora no meu coração, mas esse álbum nao supera os dois anteriores…
    Em tempo: Daniel Cavanagh é um gênio, de qualquer forma

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