2017 Metal Resenhas Rock

Stone Sour – Hydrograd (2017)

Peso, energia e adrenalina. Mas o problema são os refrãos

Por Gabriel Sacramento

Em uma escala Corey Taylor, como você está se sentindo hoje? Como o mau-humorado, agressivo, das máscaras e guturais do Slipknot, como o bem-humorado, de voz mais limpa, que gosta de diversificar do Stone Sour ou o Corey cool dos All-Stars e entrevistas divertidas? São muitas facetas e o cantor gosta de expor cada uma delas publicamente em seus projetos. O cara já escreveu até livros, mostrando que realmente quer ir fundo em seus dotes.

O Stone Sour é o que mais tem ganhado sua atenção e dedicação ultimamente. O que é até compreensível, visto que o Slipknot já anda com as próprias pernas e se tornou aos poucos uma marca maior que os próprios membros. Já o SS ainda está em fase de consolidação, descobertas e desafios. Sua dedicação à banda tem rendido resultados consistentes, como os dois últimos e conceituais álbuns, da série House of Gold & Bones. O som da banda está cada vez mais metálico, moderno, pesado e diverso dentro do próprio escopo.

Stone_Sour_2017

Conheci o grupo num show do Rock In Rio de 2011, quando vieram ao Brasil e tocaram com o baterista Mike Portnoy. Foi com “Orchids”, do primeiro álbum deles, que a banda me ganhou e eu passei a acompanhar e ouvir os álbuns. Eu, que até então só conhecia Corey Taylor dos vocais insanos de “People = Shit” e “Psychosocial”, tive uma boa surpresa ao vê-lo trabalhando ideias vocais menos previsíveis de uma forma menos rígida. Desde então, penso na banda como um projeto totalmente distinto do Slipknot – que já teve dois membros em comum – embora características similares possam ser encontradas. O disco All Hope is Gone (2009), por exemplo, tinha muito do Stone Sour e isso rendeu um resultado final bem interessante. Aliás, muita gente pode não saber, mas o Stone Sour foi fundado antes mesmo do próprio Slipknot, mas o grupo das máscaras acabou ganhando mais atenção de James Root e Corey Taylor no final dos anos 90 e alcançou um sucesso mais estrondoso.

O nome do novo disco, Hydrograd, foi escolhido porque Corey pensou ter visto a palavra escrita em um aeroporto e a achou legal. É o primeiro álbum com Johny Chow no baixo e Christian Martucci na guitarra, substituindo James Root que deixou a banda para se dedicar mais ao Slipknot. Dois singles foram lançados para promover o álbum: “Song #3” – uma faixa mais pop/rock, bem comercial, com alguns momentos que lembram as faixas do novo do Incubus – e “Fabuless”, uma porrada na orelha, com riffs afiadíssimos, vocais melódicos seguidos de gritaria gutural, uma bateria pesada e bem executada por Roy Mayorga e referências à “It’s Only Rock’n’Roll (But I Like it)” dos Stones e “Rock’n’Roll” do Led Zeppelin. Além disso, a faixa ganhou um clipe bem interessante, no qual eles aparecem tocando para bonecos de posto e no final do vídeo, os bonecos assumem o palco e os músicos aparecem na plateia – com direito à um Corey Taylor insano filmando o show do celular. O clipe foi idealizado pelo baterista há sete anos e só agora encontraram a oportunidade de gravar.

No resto do álbum temos momentos bem pesados, como em “Taipei Person/Allah Tea” e “Whiplash Pants”, com ótimos riffs e uma cozinha segura. Mas as faixas mais pesadas do álbum como a já citada “Whiplash Pants”, “Fabuless”, “Knievel Has Landed”, “Friday Knights” e a faixa-título possuem um problema: seus refrãos. O fato delas terem sempre que cair num refrão melódico acaba meio que minando as possibilidades da banda e deixando o álbum previsível demais. Esses refrãos soam um pouco forçados, pouco desenvolvidos, como se estivessem lá só para cumprir a regra mesmo e constituem o ponto fraco do conjunto. Se as partes pesadas são empolgantes do tipo que te fará balançar sua cabeça no ar, os refrãos são do tipo que te fazem desviar a atenção para checar o Twitter ou Instagram. Não funcionam bem como partes marcantes das canções.

Mas o disco tem refrão bom? Tem sim e os melhores ficam justamente nas faixas menos intensas, como “Mercy”, “The Witness Tree” e a emocionante “When The Fever Broke”. Mas além dos refrãos fracos e do peso, o grupo ainda tenta algumas coisas mais ousadas, como o flerte explícito com o country em “St. Marie”.

Hydrograd é um registro interessante de uma banda em ascensão e que sabe bem o que pode e o que quer fazer. Percebemos que eles exalavam adrenalina e energia no estúdio quando gravaram tudo ao vivo, justamente para captar mais peso e atitude, mesmo esquema usado na gravação dos EPs de covers Meanwhile in Burbank e Straight Outta Burbank.

A bateria de Roy Mayorga ganhou um destaque especial no processo de produção, soando pesada, direta e próxima ao ouvinte, como acontece quando os engenheiros utilizam microfones bem próximos dos tambores. As guitarras soam muito bem, também, com altos e precisos graus de distorção e sujeira. Taylor explora seu gutural, seus vocais melódicos e varia bem em cada nuance diferente, como fez em seus discos mais inspirados na carreira.  O produtor Jay Ruston soube muito bem conduzir a banda no processo e trabalhou com eles para definir bem as estruturas das canções e a dinâmica entre intensidade e alívio, cuidando dos timbres e da pegada.

O Stone Sour entrega peso e energia com uma riffaria precisa – capaz de deixar gente como James Hetfield e Dave Mustaine orgulhosos, inclusive – e execuções agressivas e fortes como um bom disco de metal deve ser. O problema acaba ficando nos refrãos, que impedem o álbum de ser algo fantástico e inesquecível. Ainda assim, em tempos de bandas de metal se repetindo à exaustão, enclausurando o estilo em uma enorme bolha criativa, Hydrograd soa como um bálsamo para os ouvidos cansados da mesmice, visto que eles notavelmente se esforçaram para conseguir um resultado fresco e diferente. Mesmo com alguns problemas, é um bom disco de metal.

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