2017 Jazz Resenhas Soul

Braxton Cook – Somewhere in Between (2017)

Na linha entre o clássico e o experimental, o saxofonista americano entrega um excelente disco de jazz

por brunochair

Apresento-lhes Braxton Cook. Nascido entre Maryland e Washington DC durante a década de 90, cresceu ouvindo artistas como Parliament, Funkadelic e Bill Withers e vários discos de jazz clássico. Seu primeiro contato com a música ocorreu quando tinha cinco anos de idade, ao ouvir o pai tocar o tema “Somewhere Over The Rainbow” no sax. Além de ficar impressionado com a melodia que saía daquele instrumento, Braxton também ficou impressionado com o tamanho do saxofone: será que um dia conseguiria ao menos segurar um instrumento daquele nas mãos?

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O futuro diria que conseguiria, sim. E não só isso: o rapaz apresentaria uma habilidade/sensibilidade com o instrumento que o levaria a uma das escolas de música mais respeitadas dos Estados Unidos: a Juilliard, onde Braxton pôde estudar o saxofone para o jazz. E foi ali que o saxofonista também conheceu outro jovem e experimental músico do gênero: Christian Scott. Pouco tempo depois, Braxton Cook aceitou fazer parte do grupo que acompanhava Christian Scott mundo afora.

Portanto, nesta breve biografia vocês já podem ter uma base do caminho musical do saxofonista, bem como o que esperar de qualquer disco dele. É jazz, sim. Mas tem aquela pegada experimental e contemporânea que o faz ligarmos a artistas como o próprio Christian Scott, mas também Brad Mehldau, Theo Croker. Podemos relacioná-lo a outros artistas de jazz que são bastante experimentais, como Cameron Graves e Ronald Bruner Jr, Thundercat e Kamasi Washington.

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Somewhere in Between contém essa essência jazzística. O timbre de Braxton Cook é muito mais clássico que o Kamasi Washington, por exemplo. Braxton permite-se virtuoses, como no caso de “Until”. Porém, observamos que experimentação em seu disco está muito mais nos outros instrumentos do que propriamente no sax, como em guitarras e teclados, que oferecem uma ambientação moderna para a sonoridade do disco.

Outro ponto importante a ressaltar é a habilidade vocal de Braxton Cook. Ele não canta em todas as músicas do álbum, e considera a voz mais um elemento artístico a ser explorado – portanto, tão importante quanto os outros. Porém, as músicas ganham uma perspectiva interessante com o seu vocal: um timbre agradável e bem relaxante, que prende a atenção do ouvinte de primeira viagem.

E nessa linha do clássico/experimental que o disco segue, apresentando grande poder. A diferença de Braxton Cook para Christian Scott e Theo Croker é que estes dois últimos são mais transgressores, rompem mais as fronteiras do jazz para dialogar com outras esferas. Somewhere in Between está mais assentado no jazz. Ainda assim, belíssimo disco de mais um ótimo instrumentista formado nos Estados Unidos.

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