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The Strypes – Spitting Image (2017)

Confie no rock’n’roll que vem da irlanda

Por Gabriel Sacramento

Quatro garotos europeus muito jovens, de boa aparência, fazendo rock. Não, não estou falando dos Beatles, embora esse grupo que vem da Irlanda goste de referenciar o fabfour, desde o som à aparência do início da carreira. Os Strypes não parecem intimidados pelo fato de serem muito jovens (começaram a banda com membros de 15, 14 e, pasmem, 13 anos) e pelo fato de terem como fãs declarados Elton John, Dave Grohl e Paul Weller. Não estão nem um pouco assustados, mas na verdade os garotos, que hoje têm vinte e poucos anos, acham até bom o fato desses medalhões torcerem por eles.

O visual varia dos Beatles aos Byrds, indo do arrumadinho com terno bem passado ao mais desleixado. O som era mais blues rock no primeiro disco e evoluiu, mas sempre mantendo uma aura anacrônica e referenciando os clássicos Dr. Feelgood, The Clash, Rolling Stones, Chuck Berry, dentre outras influências. Enquanto outros quartetos de meninos de vinte anos estão por aí tocando música adolescente, estes garotos resolveram tocar rock’n’roll, punk, blues, misturando tudo isso sob uma égide garageira e a velha filosofia do faça-você-mesmo. 

strypes_2017

Se você, assim como eu, também acha curioso que as bandas de rock agressivas e divertidas da década passada injetaram muitas doses de bom-mocismo em seu som, perdendo a urgência tão característica, como fizeram os Arctic Monkeys, Kaiser Chiefs e The Killers, vai se surpreender com o som desses garotos que têm mantido a atitude até agora, deixando transparecer até nas entrevistas um visual e uma pegada um tanto transgressora que lembra os grupos dos anos 60.

Spitting Image tem produção de Ethan Johns (Paul McCartney, Tom Jones) e parece soar um pouco mais garageiro e com uma produção menos polida que o anterior, Little Victories (2015). “(I Need a Break From) Holidays” mostra toda a veia punk, com um pouco de indie, que vai lembrar os bons momentos de Arctic Monkeys e Strokes. “Easy Riding” começa mais tranquila e chega a um refrão empolgante, total rock’n’roll. A faixa mostra como a banda trabalha bem a dinâmica, indo bem de momentos mais melódicos a outros mais cheios de adrenalina. “Turnin’ My Back” lembra bem as boas bandas punk dos anos 70, com um órgão bem articulado no fundo. “Grin and Bear it” é uma aula de como fazer uma música cool, mas com uma boa atitude roqueira. Mesmo envolvidas em guitarras agressivas e diretas, as melodias de “Behind Closed Doors” são ótimas e ficam na cabeça.

Spitting Image é um grande disco do quarteto e continua reafirmando que eles são uma boa referência para quem procura um som mais agressivo e garageiro. Em cada álbum, eles focaram em facetas diferentes, o que pode ser interpretado de duas formas: 1) Não definiram perfeitamente o som ainda ou 2) Suas influências e referências são tão amplas que eles desejaram fazer discos diferentes para explorar mesmo. O fato é que tudo soa muito bem e há uma coesão interessante entre o que já lançaram. Eles conseguem soar garageiros sem a grande produção do Royal Blood ou Black Keys, com ótimas faixas, ótimas melodias, solos e todos os outros elementos desse tipo de rock que as suas influências faziam. A evolução da banda tem sido impressionante, o som deles tem tomado forma e tem ganhando consistência, com tudo sendo feito sem muito esforço. Eles soam como o tipo de banda que chega no estúdio e não tem muitos problemas em gravar suas ideias, pois sabem exatamente o que querem.

Os jovens irlandeses captam bem o espírito roqueiro, jovial, insurgente, muitas vezes inconseqüente, que marcou os anos 50, os anos 60 com a psicodelia, os anos 70 com o punk, os anos 80 com o glam rock, os 90 com o grunge e britpop e a década passada com os revivals e o que ficou conhecido como indie rock. Os Strypes trazem todo esse panorama para o nosso tempo, mantendo a chama acesa e honrando o rock’n’roll de ontem, de hoje e de sempre.

É impossível não associar com o som dos já citados Arctic Monkeys e Strokes, que fizeram tanto alarde no cenário roqueiro mundial na década de 2000, chegando a serem chamados de “salvadores do rock”. Depois de tantos anos, a confiança nesses dois já não é a mesma, mas podemos confiar nos nomes menos esperados e que surgem com menos pretensão, mas que são honestos na hora de entregar um produto que garante uma boa experiência. Os Strypes têm isso e podem ganhar o mundo sem problemas com seu som e proposta super interessantes. Confie nesses garotos. O rock está muito bem de saúde e são jovens como estes que fazem questão de deixar isso bem claro.

Strypes_2016

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1 comentário em “The Strypes – Spitting Image (2017)

  1. Pingback: Jake Bugg – Heart That Strains (2017) – Escuta Essa!

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