2017 Metal Resenhas Rock

Melvins – A Walk With Love and Death (2017)

Um típico produto da máquina Melvins de fazer música

Por Gabriel Sacramento

23 faixas. 1 hora e 21 minutos. 14 faixas catalogadas na parte chamada Love – trilha sonora para um filme que eles produziram -, outras 9 na parte Death. É com essa divisão e configuração de álbum duplo que os Melvins deram as caras este ano, lançando o seu vigésimo quinto trabalho. Uma banda e tanto. Um dos grandes propulsores do que muitos chamam de sludge metal, uma espécie amaldiçoada de rock pesado, imundo, triste e arrastado que não deixa de ser um primo mais dark do tão bem falado stoner rock. A banda surgiu nos anos 80 erguendo a bandeira da esquisitice brutal e soturna, mais ou menos como o que o Black Sabbath fazia quando despontou nos 70s.

A Walk With Love and Death é também um álbum psicodélico. Uma viagem psicótica, como bem descreveu o batera Dale Crover, que forma a banda junto com o baixista Steven Shane McDonald e o vocalista/guitarrista Buzz Osborne – que curiosamente tem o sobrenome igual ao icônico vocalista do Sabbath. Segundo Crover, é um álbum assustador para fazer as pessoas dormirem com as luzes acesas.

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Os seis minutos de “Black Heath” seguem com uma fluidez lenta, arranjos simples e paradas para reflexão. Buzz e seus companheiros conseguem soar stoner sem guitarras violentas preenchendo tudo, como é de costume. “Sober-delic (acid only)” também passa dos seis minutos e parece uma continuação da primeira: soturna, vagarosa e com destaque para alguns poucos arranjos de guitarra, que por estarem situados no meio dessa atmosfera pesada, ganham um brilho a mais. Em “Flaming Culture” e “Christ Hammer”, Buzz suja um pouco mais as seis cordas, mas ainda com controle. Nas duas, temos refrãos melódicos mais “fofos” para os padrões melvianos, mas que funcionam bem para contrastar com a parte dark. “Euthanasia” honra os velhos tempos, com uma massa robusta de guitarra engolindo os outros instrumentos e os vocais assombrados de Osborne.

O Melvins tem muito a ver com o Pixies: ambas surgiram na cena underground americana nos anos 80, com um som agressivo, lo-fi, que flertava conscientemente com o noise e influenciado diretamente pelo Black Flag. Ambas cresceram como bandas dentro do cenário e vieram a ser a fonte na qual beberiam os grupos do movimento roqueiro mais importante dos anos 90 na terra dos Yankees – o grunge. E as duas, depois de tantos anos, parecem possuir alguma boa poção mágica que mantém a juventude e a essência sonora. O último dos Pixies me deixou com um sabor de nostalgia nos ouvidos e exaltou uma forma de fazer rock sem polimento e muitos recursos. Esse ano os Melvins vêm e engrossam muito bem esse coro.

A parte da trilha sonora para o filme, a parte Love do trabalho, é composta por retalhos de sons, falatórios e ruídos. Nada muito significante e que diga muita coisa sem estar atrelado ao filme. Na real, os fãs que ficarem somente na experiência auditiva sairão com sorrisos no rosto quando terminarem, porque as boas faixas deixam claro a boa fase, que aliás pode-se dizer que começou quando lançaram seus primeiros álbuns. A Walk With Love and Death é um produto composto, uma iniciativa artística interessante e diferente, que merece elogios. Mas a parte musical em especial é um típico produto da máquina Melvins de fazer música, com marca registrada e autenticada – e selo Escuta Essa de qualidade.

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