2017 Eletronica Pop Resenhas Rock

Coldplay – Kaleidoscope EP (2017)

Banda usa discurso do amor para falar de refugiados, imigrantes e quase caem na psicodelia

Por Lucas Scaliza

O nome caiu bem: o novo EP do Coldplay é tanto uma extensão do que já vinham fazendo e, em certo grau, uma exploração bonita, colorida e acessível, mas não exatamente comercial.

O caleidoscópio do quarteto inglês é variado e viajante – como o baixo que Guy Berryman faz em “All I Can Think About Is You”, que parece remeter às linhas de Simon Jones nos primórdios do The Verve – e por muito pouco não entra em uma psicodelia suave, mas potente, como a do The Flaming Lips. “Aliens”, com pegada eletrônica e timbres sofisticados é talvez a melhor composição que Chris Martin & Cia. nos apresentam em anos. No meio de algo tão diferente do que estão acostumados a fazer em termos de arranjos e produção, dá para notar perfeitamente a guitarra estelar de Jonny Buckland. Todo o lucro com “Aliens”, aliás, será doado para a MOAS, uma organização que presta ajuda a refugiados.

coldplay_2017

Para completar, essas duas músicas apresentam crescendos de bom gosto e nem um pouco forçados. Diferente do que foi dito em alguns meios de comunicação, não é como se o Coldplay fizesse algo dos primeiros discos, mas sim como se pensasse na composição como um todo, e não em como ela se comportaria na FMs da vida.

Quando vi que incluíram “Something Just Like This”, parceria com o duo eletrônico comercialzão The Chainsmokers, no repertório, ainda mais com um Tokyo Remix, pensei que estragariam de vez a faixa. Mas não: trata-se de uma gravação ao vivo executada no Japão que ficou muito boa. As mãos dos músicos e a participação do público deram ainda mais alma à canção, mais ou menos como a versão de “Princess of China” do Live 2012.

“Miracles (Someone Special)” pode facilmente se passar por uma balada boba, mas o lyric video feito para ela ressalta como os imigrantes de todas as partes do mundo ergueram os Estados Unidos. Há tempos que a veia política do Coldplay não suplanta a comercial. Iniciativas como essa chegam a esquentar o coração de fãs de longa data que ainda lembram de quando Chris Martin subia ao palco para tocar um piano com a inscrição Make trade fair.

Por fim, Hypnotised é a mensagem final de esperança da banda (que discutimos neste podcast).

É do feitio do Coldplay não ser agressivo com as questões que levanta, nem com a música e nem com as letras, e Kaleidoscope segue essa mesma toada. Mas o EP toca em assuntos importantes, sempre mais preocupado em destacar o lado bonito da vida do que em denunciar diretamente o que é ruim. Isso é sim uma fórmula comercial, e também mantém a banda dentro do seu politicamente correto de sempre, mas verdade seja dita, fazia tempo que 24 minutos de música do Coldplay não me desciam tão bem e me conduziam por uma miríade de emoções.

Anúncios

3 comentários em “Coldplay – Kaleidoscope EP (2017)

  1. Acho que o Coldplay merece outro tag que não seja “eletrônica”. Parabéns pelo blog.

  2. Fala, Zwarg. O TAG em destaque foi escolhido pelo próprio sistema do site. Outras tags relacionadas ao Coldplay é Pop, por exemplo. Vamos tentar melhorar isso! 🙂

  3. Pingback: Beck – Colors (2017) – Escuta Essa!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: